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from 東方琉璃淨土

有些人大概以為,在超過 3,000 人的 LINE 社群裡換個暱稱、講些「警察不受理啦」、「退出了也查不到」的風涼話,就能繼續無成本造謠?

請大家密切關注Blog,所有案件進度,全部會更新在這裡 ^ ^ (會儘量即時,但我很懶)

抱歉,你想得太美了。

你以為的「安全匿名」,在法律跟技術面前只不過是掩耳盜鈴:

警察早已依法受理

別再拿「警察不受理」來自我安慰,具體罪證早就完成備案。

LINE 後台記錄清清楚楚: 就算你退群、改名、匿名、刪帳號,後台綁定的手機號碼、IP 歷程一樣留存,國家機關要調取資料根本不是問題。

只要犯罪,一定抓到你 (點擊展開)

一. 警察是否會受理報案? 警察依法必須受理:只要民眾前往警局提告(例如提告妨害名譽、恐嚇或違反特別法),警察均應依法開立報案三聯單並受理,不會因為對方是「匿名」就直接拒絕受理。


二. 匿名是否就代表「查不到」? LINE 後台仍留有紀錄:雖然社群顯示的是自訂暱稱,但 LINE 系統後台依然綁定使用者的真實電話號碼、電子郵件以及登入 IP 紀錄。即使使用者退出社群或刪除帳號,伺服器後台在一定期限內仍可能留存歷程紀錄。

調取資料的實務門檻:

重大犯罪或特定罪名:若造謠行為涉及恐嚇危害安全、詐欺、公職人員選舉罷免法(意圖使人不當選)、傳染病防治法、或重大刑事案件,檢警機關可依法向 LINE 業者調取該用戶的真實身分資料,發函向電信業者查出實名使用者。

一般輕罪(如普通誹謗罪):依據現行《通訊保障及監察法》與業者隱私政策,檢警向國外或跨國通訊平台(如 LINE)調取使用者個資時,通常需要涉犯「最重本刑 3 年以上有期徒刑」之罪。若僅屬於刑責較輕的普通妨害名譽,實務上向平台成功調取個資的難度較高。但「調取難度高」並不等於「免除法律責任」。


三. 可能涉及的法律責任 超過 3000 人的 LINE 社群在法律上已構成「不特定人或多數人得共見共聞」之公開場合:

刑法妨害名譽罪:若造謠內容損及特定人或機構的名譽,可能構成刑法第 310 條《加重誹謗罪》(以散布文字、圖畫之方式犯之)。

社會秩序維護法:依據《社會秩序維護法》第 63 條第 1 項第 5 款,散布謠言足以影響公共之安寧者,可處拘留或罰鍰。

特別法刑責:若錯假資訊涉及傳染病疫情、民生物資價格捏造、金融市場秩序或選舉造謠,均有專屬特別法法規(如《傳染病防治法》等),刑責極重且屬於檢警重點偵辦項目。

民事賠償責任:受害人可依民法侵權行為規定,請求損害賠償與恢復名譽之處分。


法務部調查局已正式立案

法務部調查局,專查Line的訊息。

我早已經將完整的對話截圖與證據發給法務部調查局,並正式收到調查局的回信:「來信已移由專責單位參處辦理」。

在 3,000 人的公開社群散布錯假資訊,涉及加重誹謗、特別法刑責與民事賠償。


當你還在社群裡沾沾自喜、覺得別人奈何不了你時,專責單位已經在向Line調閱資料。

趁現在,好好想想該怎麼面對司法吧。祝你平安健康

為你自己的犯罪行為懺悔吧。

 
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from Nathan's Ramblings

Every choice rewrites the Universe

Don’t you see, all you ever are is a moment. That is all any of us are. A single fluctuation in an almost infinite algorithm.

Each choice we make changes the algorithm – instantly and forever. The past becomes such that we could not have but made that choice, the future, all that results from it.

Like the plant that emerges from a seed or the baby gazelle that is born knowing how to run, those are just the results of chemical programs developed by millions of years of evolutionary pressure. They build and preserve that monkey suit in which you walk around, but they don’t control that glorious ineffable consciousness that is the you in you.

You are a moment of starlight. A twinkle from some galaxy far away. You are the cusp between light and dark – shadow and sun – necessity and the void. You are the delta in the equation, the only way a variable can change: time itself.

You do not experience the present moment – you are your own present moment!

Now, do something amazing with that knowledge, and teach the universe that you are awakened to its trickery.

Inpired from my old blog post

 
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from Sirius

Transformar o marxismo em catecismo talvez seja uma ótima forma de produzir militantes disciplinados, mas é uma péssima forma de compreender a realidade. Recentemente rolou um debate contra o chamado “marxismo ocidental” no meio webcomunista. Alguns influenciadores marxista-leninistas ou maoistas tendem a tratar marxismo ocidental como sinônimo de Escola de Frankfurt. Menosprezar a escola de Frankfurt já seria um problema por si só, porque implica descartar autores como Adorno ou Marcuse como se não tivessem nada a oferecer ao pensamento marxista. Mas a simplificação é ainda mais grave.

O marxismo ocidental nunca foi apenas a Escola de Frankfurt. Nele encontramos autores tão diversos quanto Lukács, Gramsci, Korsch, Sartre, Merleau-Ponty, até Althusser e Poulantzas, e vários outros que procuraram recuperar aspectos da dialética de Marx que haviam sido empobrecidos pelas leituras mais ortodoxas do marxismo do século XX (cada um ao seu próprio jeito e de formas diferentes). Reduzir toda essa tradição a uma caricatura “identitária”, “culturalista” ou “acadêmica” é demonstrar desconhecimento da própria história do pensamento marxista.

É inclusive irônico porque se nem mesmo os autores da escola de Frankfurt são totalmente coesos e concordam entre si, quando ampliamos para o “marxismo ocidental” fica pior ainda, pois há autores que tecem várias críticas e discordam em vários aspectos entre si. Uma categoria criada para descrever uma tradição intelectual extremamente diversa acaba sendo utilizada por alguns influenciadores como instrumento de demarcação ideológica, criando um “nós” e um “outros” dentro do próprio marxismo, transformando em suspeitos todos aqueles que se recusam a identificar marxismo com a ortodoxia soviética ou maoista.

Parte do problema está na transformação de Materialismo e Empiriocriticismo, de Lenin, em uma espécie de catecismo filosófico. Muitos marxistas heterodoxos viram nessa obra um retorno a formas de materialismo anteriores não apenas a Marx, mas também à revolução filosófica promovida por Kant e Hegel. O conhecimento aparece ali como um espelhamento cada vez mais preciso de uma realidade objetiva, e o marxismo tende a ser apresentado como a ciência capaz de revelar as leis fundamentais da história.

A partir daí, não é difícil incorrer numa visão mecanicista do devir histórico, na qual o futuro já estaria inscrito nas estruturas do presente e a vitória do proletariado apareceria não como uma possibilidade política a ser construída mas como o desfecho inevitável de um processo governado por leis históricas.

Mais tarde, nos Cadernos Filosóficos, Lenin realiza uma retomada muito mais rica da dialética hegeliana que se afasta significativamente do mecanicismo presente em Materialismo e Empiriocriticismo. O problema é que a tradição marxista-leninista posterior frequentemente combinou esse reencontro com Hegel a uma filosofia da história excessivamente confiante em suas próprias conclusões. A dialética deixou de ser um método para compreender contradições abertas e passou a funcionar, muitas vezes, como garantia antecipada do triunfo histórico do proletariado.

É justamente contra essa tentação que boa parte do marxismo ocidental se insurgiu. Lukács, Gramsci, Sartre, Merleau-Ponty e mesmo autores da Escola de Frankfurt insistiram, cada um à sua maneira, que a história não entrega garantias antecipadas. A práxis política ocorre em um mundo contingente, ambíguo e imprevisível. Não existe ponto de vista privilegiado fora da história a partir do qual possamos enxergar seu destino final.

Talvez seja exatamente isso que incomode tanto certos setores do webcomunismo. A ideia de que a política exige julgamento, revisão constante dos próprios pressupostos e responsabilidade pelos resultados concretos da ação é muito menos confortável do que a crença de estar marchando inevitavelmente em direção a uma vitória já inscrita nas leis da história. A primeira posição exige reflexão crítica permanente e a segunda oferece a segurança psicológica da certeza doutrinária.

O “marxismo ocidental” vira sinônimo de “desvio burguês/acadêmico” para que a ortodoxia não precise lidar com questões difíceis.

Para Marx, como se pode observar inclusive nesse vídeo do Gustavo Machado, a “totalidade” dialética não é um molde pronto, que você aplica à realidade, para explicá-la à força, é um horizonte que se reconstrói na busca por compreender a síntese de múltiplas determinações em movimento e serve para nos lembrar de olhar para as conexões ocultas e para o movimento do real, não para engessar o mundo em uma verdade imutável.

Minha preocupação é que essa deturpação produza militantes mais preocupados em defender verdades prontas do que em compreender a realidade concreta. Isso, na história, pode até ter se mostrado uma potência para comover as pessoas a fazer revolução, guerra e matar com convicção, como um meio justificado para se atingir esse fim histórico glorioso e inevitável. Mas a dialética de Marx é muito mais que colocar a dialética de Hegel de cabeça para baixo. A dialética marxista não possui a confiança hegeliana de que a história possa encontrar sua reconciliação final em uma totalidade plenamente realizada.

Formar pessoas politicamente nesses moldes cria pessoas impermeáveis à experiência, guiadas por uma paixão de nostalgia dessa totalidade absoluta e já conquistada, tornando-as incapazes de refletir sobre suas práticas e ações políticas. Sobre isso, deixo o que considero uma avaliação brilhante de Sartre sobre esse tipo de pessoa, que no caso foi associado ao antissemita, ao fascista, mas também se aplica a fundamentalistas de qualquer espectro político:

O homem sensato busca gemendo, sabe que seus raciocínios são apenas prováveis, que outras considerações hão de pô-los em dúvida; nunca sabe muito bem onde vai; está “aberto”, pode passar por vacilante. Mas há pessoas que se sentem atraídas pela permanência da pedra. Querem ser maciças e impenetráveis, não querem mudar: aonde as conduzirá a mudança? Trata-se de um temor original de si próprio e de um temor da verdade. E o que as amedronta, não é o conteúdo da verdade, que nem sequer suspeitam, porém a própria forma do verdadeiro, este objeto de indefinida aproximação. É como se suas próprias existências estivessem eternamente em sursis. Mas desejam existir ao mesmo tempo e incontinenti. Não desejam opiniões adquiridas, querem-nas inatas; como têm medo do raciocínio, querem adotar um modo de vida em que o raciocínio e a busca exerçam tão somente um papel subordinado, em que jamais se procure exceto aquilo que já se encontrou, em que a gente só se torne aquilo que já era. E para tanto só há a paixão. Apenas uma forte prevenção sentimental pode dar uma certeza fulgurante, apenas ela pode manter o raciocínio à margem, apenas ela pode permanecer impermeável à experiência e subsistir durante toda uma vida.

Essa paixão doutrinária mais parece um escudo dogmático, prevenindo práticas, investigações e até material reflexivo que contradiga o marxismo adotado como canônico: se a realidade contradiz a linha do partido ou a “lei histórica”, pior para a realidade!

Se você se interessa pelo marxismo, se se compreende como socialista ou comunista, meu conselho é que não limite seu horizonte de percepção. Não exclua de sua vida fontes literárias tratadas como não oficiais. Ninguém vai tomar sua carteirinha de marxista porque você decidiu ampliar seus estudos. Recomendo que leia autores do marxismo seja ocidental, soviético, oriental, inclusive não apenas os marxistas, leia inclusive filósofos e autores não-marxistas, tudo o que permita que você amplie seus horizontes.

As obras de Marx estão repletas de textos literários de Honoré de Balzac. Marx adorava Balzac. Embora fosse politicamente conservador, monarquista e profundamente nostálgico da aristocracia francesa, conseguiu retratar as transformações sociais de seu tempo com uma profundidade que o próprio Marx admirava.

Merleau-Ponty, em “As Aventuras da Dialética”, ao resgatar o conceito de totalidade no jovem Lukács, constata que mesmo as distorções ideológicas revelam o real:

Até mesmo os fantasmas têm um significado e exigem interpretação, pois sempre aparecem no contexto de uma relação vivida com a realidade social e, portanto, não são coisas mentais e opacas, separadas do resto. Ao contrário, como as expressões faciais ou a fala, carregam consigo um significado oculto que os desmascara; não escondem algo a menos que o revelem.

e

a literatura nunca expressa os postulados de uma única classe, mas sim o encontro e, se necessário, o contraste com os outros: é, portanto, sempre um reflexo do todo, mesmo que a perspectiva de classe a distorça.

Merleau-Ponty e Lukács (pelo menos o de 1923, do História e Consciência de Classe), concordam que a dialética histórica não é impermeável à experiência. Nenhuma experiência histórica deve ser descartada de antemão por razões doutrinárias. Até os erros e derrotas precisam ser compreendidos como momentos do processo histórico: “O falso é um momento do verdadeiro, simultaneamente falso e não falso.”

Essa atenção a experiência permite que o Marxismo seja plural e atento às conjunturas e movimentos sociais distintos. Não concordo com o uso do marxismo soviético como receituário do marxismo para o contexto histórico do Brasil atual… Isso é antimarxista em alguma medida, visto que Marx, no 18 Brumário, já explicava que não devemos conjurar espíritos do passado a fim de encenar um momento distinto da história venerando revolucionários do passado como se tivessem uma receita pronta e acabada:

Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem por livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com as quais se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar a si mesmos e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, eles conjuram ansiosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestados os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de encenar a nova cena da história mundial nesse disfarce venerável e nessa linguagem emprestada.

Sei que soa muito mais fácil angariar uma militância engajada a dotando de certezas… É realmente mais difícil convidar pessoas a fazer uma revolução falando: “Vamos nos unir para construir o novo, o futuro é incerto, nossa vitória não está garantida, mas vale a pena o risco por essa causa”, mas dentro de uma análise concreta dos movimentos reais da história, é isso o que temos. O sistema que durante décadas se apresentou como a realização histórica inevitável do marxismo acabou implodindo por dentro. A União Soviética se dividiu e a Rússia foi revertida à economia de mercado de uma forma repentina, traumática, que causou danos relevantes ao seu tecido social e a de parceiros, como Cuba.

A China caminhou para uma forma peculiar de capitalismo de Estado ou, para seus defensores, de socialismo de mercado, na qual coexistem planejamento estatal, grandes empresas públicas e uma poderosa classe capitalista privada (inclusive com uma expressiva classe de bilionários privados operando segundo as dinâmicas tradicionais da acumulação capitalista). A classe gerencial chinesa, a burocracia estatal, tem mais autonomia em relação a classe dominante capitalista e maior capacidade de planejamento, de coordenar o desenvolvimento estratégico do País, em relação a todos os outros estados-nações sob o modo de produção capitalista.

O que eu poderia dizer para o marxismo das possibilidades, é que embora o socialismo não seja uma certeza histórica, seja uma possibilidade, mesmo que experiências socialistas plurais, prolíficas e diferenciadas marxistas sejam derrotadas, o empenho da militância em criar o novo não é em vão.

Um humilde exemplo que sempre ofereço e tento lembrar, que escapa totalmente do marxismo soviético canônico, é a da pequena municipalidade da Viena Vermelha no período entre Guerras, como consta do Livro V, da história do Marxismo, de Hobsbawm.

Os austromarxistas fizeram uma leitura brilhante de seu contexto histórico e das possibilidades políticas que se abriam com a recente ampliação do sufrágio. Por meio das vias eleitorais, conquistaram o governo municipal de Viena e desenvolveram uma forma criativa de gestão socialista que transformou profundamente a cidade. A tributação progressiva e os programas sociais ergueram, em pouco mais de uma década, durante o período entre guerras, um verdadeiro monumento ao socialismo democrático.

Milhares de trabalhadores foram retirados de cortiços insalubres e passaram a ter acesso a moradias de qualidade inédita para a época. Conjuntos habitacionais como o Karl-Marx-Hof permanecem de pé e continuam cumprindo sua função social até hoje. Ao mesmo tempo, a Viena Vermelha expandiu o acesso à saúde pública, às creches, à educação e a diversas outras políticas sociais, antecipando iniciativas que mais tarde se difundiriam por diferentes países europeus.

Após a derrota da experiência austromarxista diante do avanço do austrofascismo, e depois da anexação da Áustria pelo nazismo, muitos poderiam imaginar que aquela experiência havia desaparecido completamente da história. No entanto, após a derrota do regime nazista, a Constituição austríaca (cuja elaboração contou também com a participação dos austromarxistas) foi restabelecida, e muitas das instituições, políticas públicas e conquistas sociais da Viena Vermelha continuaram presentes na vida urbana vienense.

A experiência da Viena Vermelha tornou-se uma importante referência para diversas políticas sociais implementadas na Europa do pós-guerra, especialmente nas áreas de habitação, saúde e planejamento urbano.

A história não precisa garantir o triunfo inevitável do socialismo para que a luta por transformações sociais valha a pena. O simples fato de que algo novo possa surgir, alterar a experiência humana e permanecer vivo para além de seus criadores já é razão suficiente para agir.

#Marxismo #Dialética #MarxismoOcidental #Filosofia #História #MaterialismoHistórico

 
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from Nomos

Prometheus

Dando seguimento ao meu projeto de retomada de Protágoras, com algumas considerações bem informais entendo ser interessante disponibilizar uma boa tradução do mito do mais famoso sofista.

É possível observar uma forte ligação do mito de Prometeu e Epimeteu com as concepções naturalistas da história dos primeiros homens de Diodoro Sículo, atribuído a Demócrito.

A presente tradução do mito de prometeu foi extraída de outra em inglês, por James A. Arieti e Roger M. Barrus, na obra “Plato's Protagoras”. Mantive algumas das notas de rodapé do original, que considerei bem interessantes, pouco acrescentei à algumas notas, mas recomendo a leitura do texto original pois há mais notas que tornam a leitura ainda mais interessante.

Nesse diálogo, Sócrates é acordado pelo jovem Hipócrates (filho de Apolodoro) que vem bater à porta de sua casa para avisar que Protágoras está em Atenas, na casa de Hipponicus, filho de Calias.

Ao chegarem na residência, encontram o local repleto de sofistas e discipulos. Sócrates então começa a debater com Protágoras e seu primeiro questionamento é sobre a possibilidade de a excelência (arete) ser ensinada, uma vez que Protágoras era pago como professor de tal matéria.

Protágoras utiliza o mito como uma alegoria para demonstrar que a excelência pode ser ensinada e prossegue discursando sobre outro questionamento de Sócrates sobre bons homens não conseguirem ensinar seus filhos a também serem virtuosos.

Muitas das ideias inovadoras no pensamento político filosófico que estão nessa alegoria, suas ideias humanistas, democráticas, juspositivistas e sociológicas, vou abordar mais detalhadamente em outros escritos.

Segue por enquanto o trecho.

O Mito de Prometeu

(Protágoras, no diálogo homônimo de Platão)

Era uma vez, como você vê, havia deuses, mas não havia gêneros mortais. [320d] Mas quando também para esses [gêneros] chegou o tempo [que foi] ordenado para [seu] processo de vir a ser, os deuses os moldaram dentro da terra [ao] misturá-los com terra e fogo e todas as coisas misturadas com fogo e terra. E quando os [deuses] estavam prestes a trazer esses [seres] à luz, designaram Prometeu e Epimeteu1 para organizar e distribuir poderes para cada [um dos gêneros mortais] conforme apropriado. E Epimeteu pede a Prometeu [que lhe conceda o favor de] fazer a distribuição. 'Mas, [você] supervisionará minha distribuição', ele disse. E, tendo assim persuadido [Prometeu], ele faz a distribuição. [320e] E ao fazer a distribuição, a alguns ele atribuiu força sem rapidez, mas organizou os mais fracos com rapidez; a outros ele armou, mas ao dar a outros uma natureza desarmada, ele concebeu para eles algum outro poder para sua segurança. Como você vê, para aqueles seres que ele vestiu com pequenez, ele distribuiu uma fuga alada ou o hábito de habitar no subsolo; aqueles que ele aumentou em tamanho, ele salvou por meio desse [tamanho]; [321a] e igualando outras coisas dessa forma, ele continuou a fazer a distribuição. E ele concebeu essas coisas, sendo cauteloso para que nenhum gênero desaparecesse da vista.

E quando ele os havia provido de um meio de escapar de destruições mútuas, ele concebeu um conforto para as estações [que vêm] de Zeus, vestindo-os com espessa pelagem e peles sólidas, suficientes para afastar o inverno e até capazes [de afastar] o calor, e para esses [animais], enquanto vão para suas camas [Epimeteu concebeu] que pudessem possuir seus próprios colchões caseiros, [321b] colocando alguns sob suas armas, mas providenciando a outros peles espessas e sem sangue2.

Então, ele distribuiu diferentes alimentos para diferentes seres; a alguns [ele deu] erva da terra; a outros, frutas das árvores; a outros, raízes. E há aqueles a quem ele deu a carne de outros animais como alimento. E a alguns ele atribuiu uma baixa taxa de natalidade, mas atribuiu uma alta taxa de natalidade àqueles que eram capturados por eles, proporcionando segurança ao gênero [dos animais consumidos como presa]3.

E assim, na medida em que não era absolutamente sábio, Epimeteu não percebeu que havia esgotado todos os poderes nos [gêneros] desprovidos de razão [321c] e que a raça humana ainda estava desorganizada por ele, ficando sem saber o que fazer4. E enquanto estava perplexo, Prometeu se aproxima dele para examinar a distribuição, e vê os outros animais [harmoniosamente] em sintonia em todos [seus recursos], mas o [animal] humano ele vê nu e descalço e sem cama e sem armas. E já havia chegado o dia determinado em que era necessário que a humanidade também [como os outros animais] saísse da terra para a luz. E Prometeu, sem saber que segurança poderia encontrar para o ser humano, rouba de Hefesto e Atena a sabedoria técnica junto com o fogo—[321d] você vê, sem fogo, essa posse [da sabedoria técnica] era para ele sem aplicação prática [ao invés de se tornar uma posse útil]—e assim ele realmente concede um presente à humanidade. E dessa forma, a humanidade tinha sabedoria sobre os meios de subsistência, mas não tinha sabedoria sobre a arte da polis; você vê, [essa sabedoria] estava na casa de Zeus; e não era mais possível para Prometeu ir à acrópole, à casa de Zeus; e além disso, os guardas de Zeus eram temíveis; [321e] e à casa comum de Atena e Hefesto, onde os dois praticavam carinhosamente suas habilidades técnicas, Prometeu vai secretamente e, depois de roubar a habilidade técnica de Hefesto de usar o fogo e outras habilidades técnicas de Atena, ele as dá à humanidade, e por causa disso [os humanos] têm um meio abundante de subsistência; mas depois, como se diz, uma acusação de furto perseguiu Prometeu [322a] por causa de Epimeteu.

E uma vez que o animal humano tinha uma parte do que foi atribuído aos deuses5, porque (sozinho entre os animais) ele tinha uma afinidade com o divino, primeiro estabeleceu convenções sobre os deuses e se comprometeu a construir altares e imagens dos deuses; segundo, por meio da habilidade técnica, articulou rapidamente a linguagem e os nomes, e descobriu casas, roupas, sapatos, lençóis e os alimentos da terra. Tendo sido assim providos desde o início, de fato, os humanos viveram espalhados, e não havia poleis. [322b] E assim foram destruídos por feras, pois eram mais fracos de todas as maneiras. E embora sua habilidade técnica artesanal fosse uma ajuda suficiente para a alimentação, ela era insuficiente para a guerra com as feras. Veja, eles ainda não tinham uma habilidade técnica de construção política, da qual a habilidade em guerrear é uma parte. Continuavam buscando, de fato, se reunir e se salvar [por meio] da construção de poleis. E assim, quando conseguiam se reunir, agiam injustamente uns com os outros por não possuírem a habilidade técnica no que diz respeito aos assuntos da polis, de modo que, espalhando-se novamente, eram destruídos. [322c] E assim Zeus, temendo por nossa espécie, para que não fosse destruída completamente, envia Hermes para trazer temor reverencial6 e um senso do que é legalmente justo7, de modo que possam haver tanto princípios de ordenação das poleis quanto os laços que promovem a amizade8. E assim Hermes pergunta a Zeus de que maneira poderia dar aos humanos um senso do que é legalmente justo e um temor reverencial. “Devo distribuir isso da mesma maneira que as habilidades técnicas foram distribuídas? Elas foram distribuídas assim: uma pessoa que possui habilidade técnica médica é suficiente para muitos leigos, e é o mesmo para os outros artesãos. Devo, de fato, colocar um senso do que é legalmente justo e um temor reverencial nos humanos assim, ou devo distribuí-los a todos?”.

“A todos”, disse Zeus, “e que todos tenham uma parte. [322d] Vocês veem, não haveria pólis se poucos participassem disso, assim como nas outras habilidades técnicas. E considere isso como uma convenção [estabelecida por meu comando] que [é incumbente] matar aquele que não consegue compartilhar do temor reverencial e do senso do que é legalmente justo, [matando-o como] uma praga da pólis”.

Dessa forma, de fato, Sócrates, e por causa dessas coisas, tanto os outros quanto os atenienses, quando há uma discussão sobre a excelência da habilidade técnica de marcenaria ou sobre algum outro ofício, pensam que [apenas] alguns devem ter uma participação no aconselhamento, e se alguém fora desse grupo restrito oferece conselhos, [322e] eles não suportam isso, como você diz—justamente, como eu digo; mas quando vão compartilhar conselhos sobre [a condução] dos assuntos da pólis de forma excelente, [323a] que deve surgir inteiramente de uma prática de justiça9 e autocontrole, eles de maneira apropriada aceitam [o conselho de] cada homem, como é adequado, claro, pois todos têm uma parte nessa excelência, ou não haveria pólis. Isso, Sócrates, é [o que] é responsável por esse [fenômeno].

E assim, para que você não pense que está sendo enganado [ao aceitar] que todos os seres humanos realmente acreditam que cada homem tem uma parte na prática da justiça e nas demais excelências que envolvem os assuntos da pólis, considere a próxima evidência. Nas outras formas de excelência, como você diz, se alguém afirma que é um bom flautista ou [que é bom] em alguma outra habilidade técnica da qual não é [bom], ou eles riem dele ou dificultam [sua vida], [323b] e seus parentes vêm e o avisam de que ele está louco; mas nas [questões de] prática da justiça e nas demais excelências que dizem respeito aos assuntos da pólis, mesmo que saibam que alguém é injusto, se ele mesmo diz a verdade na frente de muitos [pessoas: que ele é injusto]—o que [na questão de outras formas de excelência] eles consideram como autocontrole—ou seja, dizer a verdade, lá eles consideram isso uma loucura, e afirmam que todas as pessoas precisam dizer que são justas, estejam elas sendo ou não, ou que a pessoa que não faz alarde de praticar a justiça está louca10 —como se fosse necessário que qualquer um que não tivesse uma participação na [prática da justiça] [323c] não pertencesse à raça humana.

E assim, isso é o que estou dizendo: que [os cidadãos da pólis] adequadamente aceitam cada homem como conselheiro sobre essa excelência porque pensam que todos têm uma parte nela. E isso tentarei mostrar a você a seguir: Eles não pensam que [essa excelência] é por natureza ou que surge automaticamente, mas [pensam] que é ensinável e que surge da atenção que se dedica a ela. Veja, ninguém fica emocional [323d] em relação aos muitos defeitos que os seres humanos acreditam que uns têm dos outros por natureza ou por acaso, nem dá avisos ou instrui ou disciplina aqueles que têm esses [defeitos] com o objetivo de que não sejam assim, mas sentem pena [por eles]. Pois quem é tão insensato a ponto de se empenhar em fazer qualquer uma dessas coisas em relação àqueles que são feios, pequenos ou fracos? Veja, eu acho que eles sabem que essas coisas—beleza e o oposto, [feiura] —surgem nas pessoas por natureza e por acaso. Mas em relação às muitas coisas boas que pensam surgir para os seres humanos por causa da atenção ou da prática ou do ensino, se alguém não tem essas [323e] mas tem os males opostos a essas, [é em relação] a essas pessoas, suponho, que eles [direcionam] suas emoções e punições e avisos. Entre essas [qualidades ruins], uma é a injustiça e a impiedade e, de maneira geral, tudo que é o oposto da excelência que diz respeito aos assuntos da pólis11. [324a] É aqui que, de fato, cada pessoa direciona sua emoção e adverte cada [outra pessoa]—claramente porque a posse [da excelência] vem da atenção e do aprendizado. Veja, Sócrates, se você está disposto a voltar sua mente para a disciplina, sobre o que isso pode [fazer] por aqueles que agem injustamente, o [assunto] em si lhe ensinará que os seres humanos pensam que a excelência é algo que pode ser fornecido. Veja, ninguém que tenha uma mente disciplina aqueles que agem injustamente por esse [motivo] e por causa disso—[apenas] porque ele agiu injustamente [324b]—[ou seja,] quem não toma vingança irracionalmente como uma besta; e aquele que se propõe a punir com razão não toma vingança por uma injustiça que foi perpetrada—veja, uma coisa [já] feita não pode [ser feita] não ter acontecido—mas por causa do futuro, para que nem [o perpetrador] novamente atue injustamente, nem outro que o veja punido. E tendo isso em mente, ele tem em mente que a excelência é uma questão de educação: ele pune para o fim de desencorajar. E assim todas as pessoas têm essa opinião, [324c] [ou seja,] todos que tomam vingança privada e publicamente. E o restante da humanidade toma vingança e pune aqueles que pensam que agem injustamente, e não menos os atenienses, seus [colegas] cidadãos; de modo que, de acordo com esse argumento, os atenienses também estão entre aqueles que pensam que a excelência é uma coisa que pode ser fornecida e ensinada. E assim foi suficientemente demonstrado a você, Sócrates, [324d] como, é claro, me parece, que seus cidadãos a aceitam de maneira apropriada quando um ferreiro e um sapateiro dão conselhos sobre assuntos pertinentes à pólis—[porque] pensam que a excelência é uma coisa que pode ser fornecida.

Ainda há o restante da sua perplexidade a respeito dos homens bons—por que, de fato, os homens bons ensinam a seus filhos as outras [lições] dos professores e os tornam sábios [nessas coisas], mas nessa excelência particular [dos seres humanos], os homens bons não tornam [seus filhos] melhores do que ninguém [mais]. Sobre isso, de fato, Sócrates, não contarei mais uma história, mas [apresentarei] um argumento. Veja, considere o seguinte:

Há ou não há uma coisa [324e] que é necessária para que todos os cidadãos compartilhem se houver uma pólis? Nesse ponto, você vê, a mesma perplexidade que o perturba é resolvida, ou não será resolvida em nenhum outro lugar. Veja, se, por um lado12, existe essa [uma coisa], e essa uma coisa não é a [habilidade] do construtor ou do ferreiro ou do oleiro [325a], mas é a prática da justiça, do autocontrole e da santidade (e estou falando de tudo isso junto como uma só coisa, a excelência de um homem), se há essa [uma coisa] da qual é necessário que todos tenham uma parte (e cada homem, se também deseja aprender ou fazer algo mais, deve agir com essa [uma coisa, a excelência de um homem] e sem isso [ele deve] não [agir])—ou, [se existe essa uma excelência, então é necessário] ensinar e disciplinar aquele que não compartilha disso (uma criança, um homem e uma mulher) até que, sendo disciplinado, [a pessoa] se torne melhor; mas [se acontecer que] mesmo sendo disciplinada e ensinada, a pessoa não obedece [e não se torna melhor], [será necessário] expulsar essa [pessoa], como se incurável, da pólis ou matá-la [325b]—se for dessa forma, e se for naturalmente dessa forma, considere como os homens bons são estranhos, se enquanto ensinam seus filhos outras coisas, não os ensinam isso. Mostramos, você vê, que eles pensam que é uma coisa ensinável tanto privada quanto publicamente. E uma vez que é ensinável e um [assunto] de cuidado, enquanto seus filhos são ensinados as outras coisas para as quais a morte não é a penalidade se não as conhecem, por que a penalidade é a morte e o exílio para seus próprios filhos quando não aprendem e não cuidam da excelência, e [325c] além da morte, a apropriação pública de seus bens e, para ser breve, a completa destruição de seus lares—veja, essas coisas não são ensinadas e não se preocupam [em ensiná-las] com todo o cuidado13? É, claro, necessário, Sócrates, pensar [assim].

Começando [desde quando] seus filhos são pequenos, durante toda a vida dos [pais], eles ensinam e aconselham [seus filhos]. Assim que um [filho] entende o que é dito mais rapidamente [do que entendia quando era menor], sua ama, mãe, pedagogo14 e [325d] o próprio pai brigam sobre isso—como o filho pode ser melhor—ensinando e mostrando [a ele] que para cada ato e palavra isso é o que é justo, isso é o que é injusto, e isso aqui é o belo, e isso o feio, e isso aqui o sagrado, e isso o profano, e 'faça essas coisas', mas 'não faça essas.' E se ele obedece de bom grado . . . mas se não, como se fosse um pedaço de madeira torta ou curvada, eles o endireitam [com] ameaças e golpes. E depois disso, eles o enviam para as [escolas] dos professores e, com muito mais [força], ordenam [aos professores] que se preocupem muito mais com o comportamento ordeiro de seus filhos do que com sua leitura, escrita e sua execução na lira.

[325e] E os professores se preocupam com essas coisas, e assim que os [crianças] aprendem suas letras e estão prestes a entender o que está escrito tão bem quanto já entendiam a fala articulada, os [professores], por sua vez, oferecem-lhes em suas carteiras os poemas de bons poetas para ler e os obrigam a aprendê-los completamente, [poemas] nos quais há muitos avisos e [326a] muitas histórias detalhadas e canções de louvor e encômios aos bons homens do passado, para que a criança, admirando-os, possa imitá-los e esforçar-se para se tornar como eles.

E os professores de lira, por sua vez, em relação a outros assuntos semelhantes, cuidam da [moderação das crianças] para que os jovens não se comportem mal; além desses assuntos, quando as [crianças] aprenderam a tocar lira, eles lhes ensinam também os poemas de outros bons poetas — poetas líricos — ajustando os [poemas] à execução na lira, [326b] e eles fazem com que os ritmos e harmonias se familiarizem nas almas das crianças, para que [as crianças] se tornem mais gentis, [de modo que], ao se tornarem mais rítmicas e harmoniosas, sejam úteis ao falar e agir. Toda a vida de um ser humano, como você vê, precisa de ritmo e harmonia15.

Então, além dessas coisas, eles ainda enviam [as crianças] ao professor de ginástica para que, estando seus corpos em melhor [condição], possam servir ao bom pensamento16 [326c] e não sejam obrigadas a agir de forma covarde tanto nas guerras quanto em outras ações, por conta da má condição de seus corpos. E aqueles que fazem essas coisas mais são os mais poderosos; e os mais poderosos são os mais ricos; e os filhos desses começam desde a mais tenra idade a ir aos seus professores [e] param [de ir a eles] na idade mais tardia. E quando eles deixam de [ir aos] seus professores, a pólis, por sua vez, os obriga a aprender as convenções e a viver de acordo com elas [326d] como um paradigma, para que não ajam por conta própria ao acaso, mas [os obriga] de uma forma simples: Assim como os professores de escrita riscam o contorno das letras em uma tábua de escrever e dão a tábua àquelas crianças que ainda não são hábeis na escrita e as forçam a [praticar] escrevendo entre as letras delineadas, assim também a pólis, tendo traçado o contorno das convenções — as descobertas dos bons homens do passado que estabeleceram as convenções — obriga [as crianças] a governar e ser governadas de acordo com elas, e aquele que se desvia dessas, [a pólis] castiga. [326e] E o nome para esse castigo entre vocês e em toda parte, já que a pena legal é corretiva, é chamado de 'correção'. E assim, já que há tanto cuidado com a excelência, tanto em privado quanto em público, você se admira, Sócrates, e está perplexo sobre se a excelência é ensinável? Mas não é necessário se admirar, seria muito mais [admirável] se ela não fosse ensinável.

E então, por que muitos filhos de bons pais se tornam inconsequentes? Aprenda isso a seguir. Você vê, não é surpreendente se eu estava dizendo a verdade em minhas observações anteriores, que [327a] se houver uma pólis, é necessário que ninguém seja leigo nesse aspecto — a excelência. Você vê, se o que digo é de fato assim — e de todas as coisas isso é o mais verdadeiro — reflita sobre qualquer uma das práticas e coisas a serem aprendidas além da [excelência] e escolha [uma delas]. Se não fosse possível que uma pólis existisse a menos que todos [as pessoas] fossem flautistas — o tipo [de flautista] que cada um poderia ser — cada pessoa [estaria] ensinando cada pessoa [a tocar flauta], tanto privada quanto publicamente, e reprovando qualquer um que não tocasse flauta bem, não se importando [com ninguém] em dar essa [instrução], assim como agora ninguém se importa em [ensinar aos outros] coisas justas e legais e não as esconde como [esconderia] outras questões técnicas; [327b] eu penso, você vê, que a prática da justiça e da excelência [dos indivíduos entre] si nos beneficia17; por causa dessas coisas, todos falam ansiosamente uns com os outros e ensinam o que é justo e legal; e assim, se compartilhássemos toda nossa empolgação e altruísmo em ensinar uns aos outros a tocar flauta, você acha, Sócrates,” ele disse, “que os filhos de bons flautistas se tornariam bons flautistas mais do que [os filhos de] flautistas inconsequentes? Eu acho que não, mas qualquer filho, tendo nascido excelente por natureza em música de flauta, poderia se tornar grande e famoso, e qualquer filho que [327c] não tivesse [excelência] natural ficaria sem fama. E muitas vezes [o filho] de um bom flautista acabaria sendo um flautista inconsequente e o [filho de um flautista inconsequente acabaria sendo] um bom. Mas, de qualquer forma, na verdade, todos [esses] flautistas seriam adequados em comparação a leigos que não sabem nada sobre flauta. E dessa forma, pense mesmo agora que qualquer um criado entre convenções e seres humanos que lhe parece ser um ser humano muito injusto [327d] é [no entanto] justo, mesmo um artesão disso, se ele tiver que ser julgado em comparação com seres humanos que não têm educação nem tribunais nem convenções nem qualquer necessidade que continuamente obrigue alguém a cuidar da excelência, mas são selvagens — o tipo [de pessoas] que o poeta Pherecrates colocou no palco no ano passado no [festival] Lenaian18.

[Se você se encontrasse] entre tais seres humanos, como os que odeiam os homens em seu coro, você ficaria extremamente feliz se encontrasse Eurybates e Phrynondas19, [327e] e você choraria alto, desejando a maldade das pessoas aqui. E agora você está amoado, Sócrates, porque todos são professores de excelência, cada um na medida em que pode ser, e ninguém lhe parece ser [um professor disso]; é como isto: Se você estivesse procurando alguém para ser um professor de grego, [328a] ninguém apareceria, nem, de fato, eu penso, se você estivesse buscando alguém para ensinar os filhos dos artesãos a mesma habilidade técnica que, de fato, eles aprenderam com seus pais, na medida em que seu pai e os amigos de seu pai que tinham a mesma habilidade ainda pudessem ensinar [a eles], eu não acho que seria fácil, Sócrates, encontrar um professor dessas [artes], mas para [jovens que eram] totalmente inexperientes, seria fácil [encontrar um professor], e é assim também nas [questões] de excelência e de todas as outras coisas. [328b] Mas se alguém diferir de nós um pouco ao nos levar adiante para a excelência, é algo a ser celebrado. Eu acho que sou um desses e [que eu] beneficio uma pessoa de forma diferente das outras em se tornar um homem bom e digno, e merecidamente faço isso por um pagamento e por um pagamento ainda maior, como parece [certo] para o próprio aprendiz. Por causa dessas coisas, também fiz isso em relação ao pagamento. Você vê, sempre que alguém aprende comigo, se desejar, [ele paga] o valor que eu cobro, mas se ele não [quiser], ele vai a um templo e jura [328c] quanto ele acha que minhas aulas valem, [e] é isso que ele coloca20.

Para você, Sócrates,” ele disse, “esta é a história e o argumento que eu contei, sobre como a excelência é um [assunto] ensinável e como os atenienses pensam isso e como não é de modo algum surpreendente que os filhos de homens bons se tornem inconsequentes e os filhos de [pais] inconsequentes se tornem bons, uma vez que os filhos de Policleto, que têm a mesma idade que Paralus e Xanthippus aqui, não são nada comparados ao pai deles, e outros [filhos] de outros artesãos são iguais. Mas não é correto acusar esses [rapazes]21. [328d] Você vê, ainda há esperanças neles; você vê, eles são jovens.

Notas de Rodapé

1

Os nomes são significativos: Prometeu significa "compreensão antecipada"; Epimeteu significa "compreensão tardia”.

2

Toda esta frase é obscura. Talvez Protágoras esteja falando sobre as camas ou os locais de dormir dos animais que não têm “um colchão de pelagem.” Aqueles que se escondem sob suas armas seriam animais como os porcos-espinhos, que dormem sob seus espinhos; aqueles que são providos de pele espessa seriam animais como elefantes ou vacas; aqueles que são dotados de partes sem sangue seriam animais como caracóis ou tartarugas. Uma tradução alternativa poderia ser “vestindo alguns com armas, outros com peles espessas e sem sangue.” Esses seriam animais que usam seus pés como armas e como meio de locomoção. Talvez, neste caso, as peles espessas e sem sangue se refiram a cascos.

3

Heródoto faz praticamente a mesma observação (3.108).

4

Ficar sem saber o que fazer se refere aqui ao estado de aporia.

5

Isso provavelmente se refere à capacidade de raciocinar.

6

Aidós (Αἰδώς): reverência, temor, respeito pelo sentimento ou opinião dos outros ou pela própria consciência, vergonha, autorrespeito, senso de honra, sobriedade, consideração pelos outros, especialmente os desamparados, compaixão. Na mitologia grega, Aedos ou Aesquine era uma Daemon, a personificação da vergonha, da humildade e do pudor, sendo ao mesmo tempo a divindade que representava o sentimento da dignidade humana, tendo como qualidade o respeito ou a vergonha que reprime aos homens do inapropriado. Sua equivalente romana seria Pudor ou Pudicia. Traduzido como "temor reverencial" pois no texto está em algum lugar entre "reverência", que parece inspirada pela bondade, e "medo", que é uma expectativa de dano.

7

Dike (δίκη): Um termo do direito ático que significa, de forma geral, qualquer procedimento legal de uma parte diretamente ou indiretamente contra outras. O objetivo de todas essas ações é proteger o corpo político, ou um ou mais de seus membros individuais, de lesões e agressões. Esta é a nossa tradução de dike, que, embora às vezes seja traduzida como “justiça”, de forma mais geral significa “processo judicial”, “ação legal” e até mesmo “pena atribuída”, e, portanto, tem uma associação com um processo ou sensibilidade legal. É análoga ao nosso termo “temor reverencial” e combina um senso do que é certo com um medo de sofrer uma penalidade.

8

Talvez na frase de Protágoras tenhamos uma lista dos componentes do artesanato político. A ordem e a amizade são as bases da vida social. Essas opiniões são muito antigas. Em Heródoto, Deioces é o fundador da realeza porque mantém sua sociedade, a Média, longe da anarquia. Os antigos argumentos sobre o fortalecimento da cidade incluem o aumento do número de laços (desmoi) entre os indivíduos. O principal argumento moral contra o casamento incestuoso é que ele duplica os laços (o mesmo homem pode ser irmão, tio, primo) em vez de multiplicar os laços entre famílias distintas por meio de casamentos fora da própria família (criando parentes por meio do casamento).

9

Anteriormente, Protágoras havia associado os termos 'senso do que é legalmente justo' com 'temor reverencial.' Agora, em vez de 'senso do que é legal,' ele está usando dikaiosyne, que traduzimos como 'prática de justiça,' embora ela, assim como dike (veja a nota 7), também seja frequentemente traduzida simplesmente como 'justiça'.

10

Esta é uma visão completamente oposta àquela que Sócrates defende no Górgias, onde ele persuade seu interlocutor Pólis de que um homem deve se denunciar e denunciar seus amigos quando eles estiverem errados e deixar seus inimigos em liberdade (Górgias 480b–481b).

11

Injustiça e impiedade e, de maneira geral, tudo que é o oposto da excelência que diz respeito aos assuntos da pólis' são entendidos como uma só coisa. Um hendíadis é o recurso pelo qual uma coisa é expressa por duas palavras (por exemplo, 'força e vigor'). Há um debate sobre se uma ideia ou várias ideias distintas são pretendidas aqui. Em Platão, há a questão recorrente de se a virtude é uma coisa só e se todas as aparentemente várias virtudes se reduzem a uma única virtude. A linguagem que Platão aqui dá a seu personagem Protágoras parece deliberadamente provocativa, já que Protágoras diz que uma das qualidades ruins consiste em partes, uma delas extremamente grande ('de maneira geral, tudo que é o oposto da excelência que diz respeito aos assuntos da pólis').

12

Platão faz com que Protágoras se esqueça do pensamento que começaria com 'por outro lado.' Protágoras nunca retoma as consequências de não haver uma excelência humana básica e se perde em um argumento divagante.

13

Protágoras está fazendo um argumento a fortiori, argumentando 'a partir do que é mais forte.' Por exemplo, se uma pessoa pode levantar cinquenta libras (o que requer maior força), ela certamente pode levantar dez libras. Sem dúvida, este é um dos tipos de argumento que Protágoras ensinou.

14

Um pedagogo era o escravo que acompanhava um menino à escola e de volta para casa.

15

Na República, Sócrates discute extensivamente o papel da música na educação dos guardiões. A música, segundo Sócrates, tem o poder de agir diretamente sobre as paixões, até contra e sem a razão. O uso da música, juntamente com a ginástica, serve para refinar a alma adequadamente — tornar a alma mais dura ou mais suave conforme necessário — para preparar os guardiões para o cumprimento de sua responsabilidade política (liderar sua sociedade em tempos de paz e guerra) e, ainda mais, para o cumprimento de sua responsabilidade intelectual (buscar a verdade do ser). Veja, por exemplo, República 410a–412a.

16

Protágoras parece aqui antecipar o argumento de que corpos saudáveis podem ser usados para o bem ou para o mal. No Górgias, o personagem Górgias diz que a retórica não deve ser acusada se for usada de forma errada, um argumento repetido mais tarde por Isócrates (Antídose 252) e Aristóteles (Retórica 1355b3–7). Aqui, Protágoras afirma que corpos saudáveis são úteis para servir pensamentos saudáveis, e ele não convida a possibilidade de serem úteis para más ações.

17

Este é o argumento de Sócrates na Apologia (25c–26a), onde ele afirma que nunca intencionalmente prejudicaria outra pessoa porque tornaria a sociedade pior e, portanto, como membro da sociedade, tornaria sua própria vida pior. Todo criminoso, é claro, poderia usar o mesmo argumento. O problema com o argumento surge da suposição de que as pessoas estão sempre agindo racionalmente ou sem erro nos pressupostos.

18

Em 421–420 a.C.E., o dramaturgo cômico Pherecrates produziu Os Homens Selvagens, que sobrevive em muito poucos fragmentos. Hermann Sauppe sugere que os 'homens selvagens' se assemelhavam aos ciclopes de Homero em sua barbaridade. Pouco se sabe sobre Pherecrates, que se diz ter vencido sua primeira competição em 438 e ter composto vinte e uma comédias. O que parece claro é que a peça abordou, em forma cômica, o debate sobre natureza e convenção, mostrando mais uma vez que a comédia, como os diálogos de Platão — e como a nossa comédia contemporânea — se sentia à vontade para zombar de debates intelectuais.

19

Segundo a Suída, uma compilação do século X d.C. de coleções anteriores de dados, a única fonte de informação sobre esses homens, Eurybatos era um homem perverso que foi enviado por Crésus com dinheiro em uma embaixada e traiu Crésus, indo para Ciro, o inimigo de Crésus. Phrynondas era um indivíduo igualmente perverso.

20

Aristóteles, na Ética a Nicômaco (1164a25), parece confirmar o método de pagamento de Protágoras, mas é, claro, possível que Aristóteles tenha aprendido isso do diálogo presente. Aristóteles cita Hesíodo como tendo estabelecido a prática. Em Os Trabalhos e os Dias (370), Hesíodo cantou: 'Que o salário seja suficiente'.

21

Para a audiência de Platão, se as histórias contadas por Plutarco (Vida de Péricles 36) já eram conhecidas, essas palavras estariam cheias de ironia dramática. Xanthippus, segundo Plutarco, o filho legítimo mais velho de Péricles, casou-se com uma esposa jovem e gastadora, e se ressentiu amargamente dos modos avarentos de seu pai. Assim, ele pegou emprestado dinheiro de um dos amigos de seu pai, alegando falsamente que estava fazendo isso a pedido de Péricles. Quando Péricles não apenas se recusou a pagar o homem de volta, mas o processou, Xanthippus ficou furioso e começou a denegrir seu pai, acusando-o de indiscrições com a esposa de Xanthippus e afirmando que Péricles desperdiçou seu tempo discutindo com Protágoras sobre se um homem morto por um lançamento acidental de uma lança foi morto pelo lançador ou pela lança. Xanthippus e seu pai nunca reconciliaram sua briga, e Xanthippus morreu na praga pouco antes de seu pai. Plutarco também relata que, quando o único filho sobrevivente de Péricles, Paralus, morreu, Péricles, embora normalmente não chorasse nos funerais de seus parentes mais próximos, durante o funeral de Paralus rompeu em um choro descontrolado pela primeira vez em sua vida. Assim, o Protágoras de Platão termina seu discurso, então, com uma nota de triste ironia.

#Filosofia #Protágoras #Platão #Prometheus #Socrates

 
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from Nomos

O historiador grego do século I a.C., Diodoro, é considerado um compilador de fontes antigas, dentre elas alguns dos ensinamentos de Demócrito de Abdera. Em sua obra, Biblioteca de História (Tomo I, Capítulo 8), encontramos um relato da origem dos seres vivos e dos primeiros homens, que são atribuídos aos ensinamentos de Demócrito por especialistas como Diels, Vlastos, Reinhardt e Beresford. Dando início a meus estudos sobre Protágoras que, como discípulo de Demócrito, compartilhava com ele algumas concepções naturalistas e humanistas, apresento uma tradução do relato da pré-história de Diodoro.

Felizmente a obra Biblioteca de História, de Diodoro, foi disponibilizada em inglês pela Universidade de Chicago nesse site.

Transcrevo a seguir o relato dos primeiros homens de Diodoro, como texto inicial para o estudo da conexão do pensamento de Demócrito com o de Protágoras (inclusive as semelhanças e diferenças com o mito de Prometeu e Epimeteu, atribuído a Protágoras no diálogo homônimo, de Platão):

Relato da pré-história de Diodoro

(…) os primeiros homens a nascer (…) levavam uma vida indisciplinada e bestial, saindo um a um para garantir sua subsistência e alimentando-se tanto das ervas mais tenras quanto dos frutos das árvores selvagens. Então, como foram atacados pelas feras, vieram em auxílio uns dos outros, sendo instruídos pela necessidade, e, quando se reuniram dessa maneira devido ao medo, gradualmente começaram a reconhecer suas características mútuas. E embora os sons que produziam fossem no início incompreensíveis e indistintos, aos poucos conseguiram articular sua fala, e, ao concordar entre si sobre símbolos para cada coisa que se apresentava a eles, tornaram conhecido entre si o significado que deveria ser atribuído a cada termo. Mas, como grupos desse tipo surgiram por todas as partes do mundo habitado, nem todos os homens tinham a mesma linguagem, uma vez que cada grupo organizou os elementos de sua fala por mero acaso. Esta é a explicação da existência atual de todos os tipos concebíveis de linguagem e, além disso, a partir desses primeiros grupos formados surgiram todas as nações originais do mundo.

Agora, os primeiros homens, uma vez que nenhuma das coisas úteis para a vida havia sido descoberta ainda, levavam uma existência miserável, não tendo roupas para se cobrir, não sabendo o uso de habitações e fogo, e também sendo totalmente ignorantes de alimentos cultivados. Pois como também negligenciaram até mesmo a colheita dos alimentos selvagens, não acumularam nenhum estoque de seus frutos contra suas necessidades; consequentemente, um grande número deles pereceu nos invernos devido ao frio e à falta de alimentos. Pouco a pouco, no entanto, a experiência os ensinou tanto a buscar as cavernas no inverno quanto a armazenar os frutos que podiam ser preservados. E quando se familiarizaram com o fogo e outras coisas úteis, as artes também e tudo o que é capaz de promover a vida social do homem foram gradualmente descobertos. De fato, falando de modo geral, em todas as coisas foi a própria necessidade que se tornou a professora do homem, fornecendo de maneira apropriada instrução em todos os assuntos a uma criatura que foi bem dotada pela natureza e que tinha, como assistentes para todos os propósitos, mãos, logos (razão) e anchinoia (sagacidade mental).

E no que diz respeito à primeira origem dos homens e seu modo de vida mais primitivo, nos contentaremos com o que foi dito, uma vez que desejamos manter a devida proporção em nosso relato.

#Filosofia #Demócrito #Protágoras

 
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from Only For You, My Love

針對這個案件,您若也想一起檢舉,可以透過下列資訊進行。你所需要的所有文字以及證據,都在本文當中提供。

可以在三個地方檢舉:

  1. 法務部調查局陳情檢舉信箱 (或是直接用信箱:service@mjib.gov.tw )

  2. 刑事警察局全球資訊網站線上檢舉信箱

  3. 行政院院長信箱

以下是檢舉函內容,可以直接複制使用,我不主張著作權

但建議作一些小調整,才不會像罐頭訊息。

違法造謠惡意散布不實訊息檢舉函

檢舉事由
具名檢舉 LINE 社群「竹北水瀧大小事」使用者「不是喔,不是這樣的喔」,利用公開網路社群平台,惡意捏造並散布「毒油廠商金額只捐給賴清德」等完全背離事實之政治獻金與收錢謠言。該行為公然抹黑誹謗、惡意誤導大眾並破壞社會安寧,已嚴重觸犯我國法律!請 貴單位即刻立案嚴查,調閱涉案帳號身分,依法強烈追究其刑事與行政責任,絕不寬貸!

違法事實與違法行為細節
被檢舉人於人數多達 1,546 人之公開 LINE 社群「竹北水瀧大小事」內(涉案時間為深夜 11:23 PM),公然發表惡意捏造之誹謗言論。

被檢舉人「不是喔,不是這樣的喔」於群組對話中,無中生有地張貼並宣稱:「對對對 都沒捐民進黨 只捐給賴清德」等語,憑空捏造違法廠商與特定政治人物間存在政治獻金及資金往來之假象。

此類言論完全屬於惡意造謠與抹黑。依據我國《政治獻金法》相關規定,所有政治獻金之收受與申報均須依法公開透明並受監察院查核,且權威報導與公開資訊已明確澄清相關不實指控。被檢舉人「不是喔,不是這樣的喔」在完全沒有事實依據的情況下,故意在超過千人的地方大型社群內捏造假訊息廣為傳播,其惡意抹黑名譽、煽動對立並散布謠言之意圖至為明確!

嚴正要求依法嚴辦之法律依據
被檢舉人「不是喔,不是這樣的喔」之造謠行為,已明確觸犯我國多項法律規範:

一、涉犯《刑法》第 310 條第 2 項(加重誹謗罪):
被檢舉人意圖散布於眾,利用文字及網路通訊軟體,指摘並傳述足以毀損他人名譽之虛偽事項,公然造謠特定人士收受違法廠商資金,已明確構成加重誹謗罪。

二、違反《社會秩序維護法》第 63 條第 1 項第 5 款:
被檢舉人在多達 1,546 人之公開網路社群散布未經證實之虛構謠言,製造社會不信任與恐慌,嚴重影響社會公共安寧,應依法處以拘留或罰鍰。

結論與訴求
網路絕非法外之地,被檢舉人「不是喔,不是這樣的喔」利用通訊軟體的匿名性,肆無忌憚地捏造「收錢」假訊息並散播謠言,損害法治與公共利益至鉅。懇請 貴單位切勿放任此等惡劣造謠風氣,請立即向 LINE 台灣分公司及相關單位調閱該帳號「不是喔,不是這樣的喔」之 IP 位址與真實身分資訊,強烈依法追究其法律責任,以維護社會法治與正義!

證據用下列兩張圖片

台灣加油,這些因為政治而瘋掉的人,以前學校沒教好,家庭教育沒有成功,就讓我們台灣人以及台灣的司法來教育他們 !

 
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from 東方琉璃淨土

你可以上衛福部署長信箱,或者上食藥署網站便民服務,這裡提供衛福部署長信箱:https://www.email.mohw.gov.tw/

法務部調查局,專辦Line爭議訊息,這也很好檢舉。 https://www.mjib.gov.tw/Poll?Module=2

以下提供檢舉文字,可自行調整使用。多人檢舉,更有用,一起讓台灣社會更好 !

主旨:檢舉散播「蘋果芬普尼放寬6倍」食安不實訊息(違反食安法第46-1條)

內容:

本人於本(7)月14日上午,在通訊軟體LINE社群「白沙屯媽祖進香」群組(成員逾3,500人)中,發現有名為「平安健康」之成員散播一則關於蘋果農藥殘留的不實圖卡訊息,特此檢舉,敬請依法查處。

一、檢舉事實
該圖卡標題載明:「蘋果芬普尼(Fipronil)藥殘標準從0.5ppm放寬至3.0ppm,大幅放寬6倍」,並配上「致癌毒油吃下肚還不夠」「一天一毒蘋果 健康遠離我」等聳動文字,引導閱聽者相信政府已放寬蘋果之芬普尼殘留標準,藉此製造民眾對食用蘋果之恐慌。

二、與事實不符之處
依 貴署及衛福部近日公開澄清,本次《農藥殘留容許量標準》修正草案,係就「芬普寧」(Fenpropathrin)訂定個別標準,與圖卡所稱之「芬普尼」(Fipronil)為兩種完全不同之農藥。芬普尼屬環境用藥,於我國並不得用於農作,貴署亦從未訂定蘋果之芬普尼殘留標準。該圖卡刻意將二者混淆,並冠以「致癌」「毒蘋果」等不實結論,已足以誤導公眾、引發民眾對食品安全之疑慮。

三、檢舉依據
上開行為核已涉及散播有關食品安全之謠言或不實訊息,違反《食品安全衛生管理法》第46條之1規定。貴署日前亦已公開表示,將對此類錯假訊息蒐證並依法究辦。

四、檢具證據
隨信檢附該群組畫面截圖三張,內容包含散布者之顯示名稱、發文時間(上午8時28分)及圖卡完整內容,供 貴署查證。如需進一步提供群組其他佐證資料,本人願全力配合。

此類不實訊息正值致癌油品食安風波期間廣為流傳,對社會秩序與民眾食安信心危害甚鉅。懇請 貴署儘速查明並依法處置,以正視聽、遏止謠言擴散。

耑此 敬請
查照惠辦

若檢舉系統要內容小於500字,則用下列版本。

本人於本(7)月14日上午,在LINE社群「白沙屯媽祖進香」群組(成員逾3,500人)中,發現有名為「平安健康」之成員散播一則蘋果農藥殘留的不實圖卡,特此檢舉。
一、檢舉事實
該圖卡標題稱:「蘋果芬普尼(Fipronil)藥殘標準從0.5ppm放寬至3.0ppm,大幅放寬6倍」,並配「一天一毒蘋果 健康遠離我」等聳動文字,誘導民眾相信政府已放寬蘋果芬普尼標準,製造食安恐慌。
二、不符事實之處
依 貴署及衛福部近日澄清,本次《農藥殘留容許量標準》修正草案係就「芬普寧」(Fenpropathrin)訂定個別標準,與圖卡所稱「芬普尼」(Fipronil)為兩種完全不同農藥。芬普尼屬環境用藥,我國不得用於農作,貴署亦從未訂定蘋果芬普尼標準。該圖卡刻意混淆二者,並冠以「致癌」「毒蘋果」等不實結論,足以誤導公眾。
三、檢舉依據
上開行為已涉散播食安不實訊息,違反《食品安全衛生管理法》第46條之1。貴署日前亦公開表示將對此類錯假訊息蒐證究辦。
四、檢附證據
隨信檢附群組截圖三張,含散布者名稱、發文時間(上午8時28分)及圖卡完整內容,供 貴署查證,本人並願配合提供其他佐證。
值此致癌油品食安風波期間,此類謠言廣為流傳,危害民眾食安信心甚鉅。懇請 貴署儘速查明依法處置,以正視聽、遏止擴散。
耑此 敬請
查照惠辦

同時可以附上三張圖片:


台灣加油,這些藍白支持者,以前學校沒教好,家庭沒教好,讓我們青鳥以及台灣的司法來教!

 
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from Nomos

Cartas XIV a XVI, da obra “Sobre a educação estética do homem em uma serie de cartas”, de Friedrich Schiller

Carta Catorze

A esta altura, fomos conduzidos ao conceito de uma tal ação recíproca entre os dois impulsos, na qual a atividade de um funda e, ao mesmo tempo, limita a atividade do outro, e na qual cada um deles, considerado isoladamente, alcança sua mais alta manifestação precisamente porque o outro está em atividade.

Essa relação recíproca entre os dois impulsos é, contudo, apenas uma tarefa da razão, que o homem só é capaz de resolver plenamente na consumação de sua existência. Ela é, no sentido mais próprio da palavra, a ideia de sua humanidade, portanto um infinito do qual ele pode aproximar-se cada vez mais ao longo do tempo, sem jamais alcançá-lo. Ele não deve aspirar à forma às custas de sua realidade, nem à realidade às custas da forma; antes, deve buscar o ser absoluto por meio de um ser determinado, e o ser determinado por meio de um ser infinito. Deve colocar um mundo diante de si, porque é pessoa, e deve ser pessoa, porque um mundo lhe é apresentado. Deve sentir, porque é consciente de si, e deve ser consciente de si, porque sente.

Que ele corresponda efetivamente a essa ideia e seja, por conseguinte, homem no pleno sentido da palavra, jamais poderá ser objeto de experiência enquanto satisfizer exclusivamente um desses dois impulsos, ou apenas um depois do outro; pois, enquanto apenas sente, sua pessoa, ou sua existência absoluta, permanece oculta para ele; e, enquanto apenas pensa, sua existência no tempo, ou seu estado, permanece igualmente oculta. Se, porém, houvesse casos em que ele realizasse simultaneamente essa dupla experiência, em que se tornasse consciente de sua liberdade ao mesmo tempo que experimentasse sua existência, em que se sentisse simultaneamente como matéria e se conhecesse como espírito, então teria, nesses casos, e somente neles, uma intuição completa de sua humanidade, e o objeto que lhe proporcionasse essa intuição servir-lhe-ia de símbolo de sua destinação realizada e, por conseguinte, já que esta só pode ser alcançada na totalidade do tempo, de representação do infinito.

Supondo que casos dessa natureza possam ocorrer na experiência, eles despertariam no homem um novo impulso que, justamente porque os dois outros atuam conjuntamente nele, se oporia a cada um deles considerado isoladamente e, com razão, poderia ser tomado como um novo impulso. O impulso sensível quer que haja mudança, quer que o tempo tenha um conteúdo; o impulso formal quer que o tempo seja abolido, quer que não haja mudança. O impulso no qual ambos atuam conjuntamente, seja-me permitido, por ora, até que eu tenha justificado essa denominação, chamá-lo de impulso lúdico, o impulso lúdico, portanto, seria orientado para abolir o tempo no próprio tempo, reconciliar o devir com o ser absoluto e a mudança com a identidade.

O impulso sensível quer ser determinado; quer receber seu objeto. O impulso formal quer determinar por si mesmo; quer produzir seu objeto. O impulso lúdico procurará, portanto, receber como se ele próprio tivesse produzido, e produzir como os sentidos aspiram a receber.

O impulso sensível exclui de seu sujeito toda atividade própria e toda liberdade; o impulso formal exclui do seu toda dependência e toda passividade. Mas a exclusão da liberdade é necessidade física, e a exclusão da passividade é necessidade moral. Ambos os impulsos constrangem, portanto, o ânimo, aquele por meio das leis da natureza, este por meio das leis da razão. O impulso lúdico, no qual ambos atuam conjuntamente, constrangerá o ânimo ao mesmo tempo moral e fisicamente; portanto, justamente porque suprime toda contingência, suprimirá também toda coerção e colocará o homem em liberdade tanto física quanto moral. Quando abraçamos apaixonadamente alguém que é digno de nosso desprezo, sentimos dolorosamente a coerção da natureza. Quando somos hostis a alguém que nos impõe respeito, sentimos dolorosamente a coerção da razão. Mas, tão logo esse mesmo indivíduo desperta nossa inclinação e conquista nosso respeito, desaparecem tanto a coerção da sensibilidade quanto a coerção da razão, e começamos a amá-lo, isto é, começamos a jogar simultaneamente com nossa inclinação e com nosso respeito.

Além disso, como o impulso sensível nos constrange fisicamente e o impulso formal moralmente, aquele torna contingente nossa condição formal, e este nossa condição material; isto é, é contingente que nossa felicidade esteja de acordo com nossa perfeição, ou que esta esteja de acordo com aquela. O impulso lúdico, no qual ambos atuam unidos, tornará simultaneamente contingentes nossa condição formal e nossa condição material, nossa perfeição e nossa felicidade; portanto, precisamente porque torna ambas contingentes, e porque, com a necessidade, desaparece também a contingência, abolirá novamente a contingência em ambas e introduzirá forma na matéria e realidade na forma. Na mesma medida em que retira das sensações e dos afetos sua influência dinâmica, ele os colocará em concordância com as ideias da razão; e, na mesma medida em que retira das leis da razão sua coerção moral, reconciliá-las-á com o interesse dos sentidos.

Carta Quinze

Aproximo-me cada vez mais da meta para a qual o conduzo por um caminho pouco animador. Permita-me apenas que o senhor me acompanhe por mais alguns passos, e um horizonte tanto mais amplo se abrirá diante de nós, enquanto uma perspectiva mais luminosa talvez recompense o esforço do caminho.

O objeto do impulso sensível, expresso em um conceito geral, chama-se vida, no sentido mais amplo da palavra; um conceito que designa todo ser material e toda presença imediata aos sentidos. O objeto do impulso formal, expresso em um conceito geral, chama-se forma, tanto em sentido próprio quanto em sentido figurado; um conceito que compreende todas as determinações formais das coisas e todas as relações destas com as faculdades do pensamento. O objeto do impulso lúdico, representado por um esquema geral, poderá, portanto, chamar-se forma viva; um conceito que serve para designar todas as qualidades estéticas dos fenômenos e, em uma palavra, aquilo que, no sentido mais amplo, se denomina beleza.

Por meio dessa explicação, se é que se trata realmente de uma explicação, a beleza não é estendida a todo o domínio do que é vivo, nem tampouco encerrada exclusivamente nesse domínio. Um bloco de mármore, embora seja e permaneça inanimado, pode, ainda assim, tornar-se forma viva pelas mãos do arquiteto e do escultor; um homem, embora viva e possua forma, está ainda longe, por isso só, de ser uma forma viva. Para isso, é necessário que sua forma seja vida e que sua vida seja forma. Enquanto apenas pensamos sua forma, ela permanece sem vida, uma simples abstração; enquanto apenas sentimos sua vida, ela permanece sem forma, uma simples impressão. Somente quando sua forma vive em nossa sensibilidade e sua vida adquire forma em nosso entendimento é que ele é forma viva, e isso ocorrerá sempre que o julgarmos belo.

Mas o fato de sabermos indicar os elementos cuja união produz a beleza não explica, de modo algum, sua gênese; para isso seria necessário compreender essa própria união, que permanece para nós insondável, assim como, de modo geral, toda interação entre o finito e o infinito. A razão formula, por fundamentos transcendentais, a exigência de que haja uma comunhão entre o impulso formal e o impulso sensível, isto é, um impulso lúdico, porque somente a unidade da realidade com a forma, da contingência com a necessidade, da passividade com a liberdade completa o conceito de humanidade. Ela deve formular essa exigência porque é razão, porque, por sua própria natureza, tende à perfeição e à remoção de todos os limites, ao passo que toda atividade exclusiva de um ou de outro impulso deixa incompleta a natureza humana e nela estabelece uma limitação. Assim, no mesmo instante em que enuncia: deve existir uma humanidade, estabelece igualmente esta lei: deve existir uma beleza. A experiência pode responder-nos se existe uma beleza, e nós o saberemos assim que ela nos tiver mostrado se existe uma humanidade. Mas nem a razão nem a experiência podem ensinar-nos como a beleza é possível, nem como a humanidade pode sê-lo.

Sabemos que o homem não é exclusivamente matéria nem exclusivamente espírito. A beleza, como consumação de sua humanidade, não pode, portanto, ser exclusivamente vida, como sustentaram observadores argutos que se apegaram demasiado ao testemunho da experiência, e para onde o gosto da época gostaria de reduzi-la; tampouco pode ser exclusivamente forma, como julgaram filósofos especulativos que demasiado se afastaram da experiência e artistas filósofos que, ao explicá-la, se deixaram conduzir em excesso pelas exigências da arte. Ela é o objeto comum de ambos os impulsos, isto é, do impulso lúdico. O próprio uso da linguagem justifica plenamente esse nome, pois costuma designar pela palavra jogo tudo aquilo que não é contingente nem subjetiva nem objetivamente e que, apesar disso, não constrange nem exterior nem interiormente. Como o ânimo, na contemplação do belo, se encontra em um feliz ponto de equilíbrio entre a lei e a necessidade, é justamente porque participa de ambas que se vê livre da coerção tanto de uma quanto da outra. Tanto o impulso sensível quanto o impulso formal levam suas exigências a sério, porque o primeiro, no conhecimento, refere-se à realidade, enquanto o segundo se refere à necessidade das coisas; porque, na ação, o primeiro visa à conservação da vida e o segundo à preservação da dignidade, estando ambos, portanto, orientados para a verdade e para a perfeição. Mas a vida perde sua gravidade quando a dignidade intervém, e o dever deixa de constranger quando a inclinação o acompanha; do mesmo modo, o ânimo acolhe a realidade das coisas, a verdade material, com maior liberdade e serenidade quando esta se encontra com a verdade formal, a lei da necessidade, e deixa de sentir-se tensionado pela abstração quando esta pode ser acompanhada pela intuição imediata. Em uma palavra: quando entra em comunhão com as ideias, tudo o que é real perde sua gravidade, porque se torna pequeno; e quando encontra a sensibilidade, o necessário perde igualmente a sua, porque se torna leve.

Mas, talvez o senhor já estivesse inclinado a objetar-me há algum tempo, não é a beleza rebaixada ao ser transformada em mero jogo e equiparada aos objetos frívolos que desde sempre receberam esse nome? Não contraria isso o conceito racional e a dignidade da beleza, que é considerada um instrumento da cultura, reduzi-la a um mero jogo? E não contraria também o conceito empírico de jogo, que pode muito bem existir sem qualquer participação do gosto, restringi-lo exclusivamente à beleza?

Contudo, o que significa um mero jogo, depois que sabemos que, entre todos os estados do homem, é precisamente o jogo, e somente o jogo, aquilo que o torna completo e faz desabrochar de uma só vez sua dupla natureza? Aquilo que o senhor, segundo sua concepção da questão, chama de limitação, eu, segundo a minha, que creio ter justificado por meio de argumentos, chamo de ampliação. Eu diria, portanto, exatamente o contrário: diante do agradável, do bom e do perfeito, o homem é sério; mas é com a beleza que ele joga. Certamente, não devemos pensar aqui nos jogos que se praticam na vida real e que, em geral, se dirigem apenas a objetos muito materiais; mas também seria em vão que procurássemos, na vida real, a beleza de que aqui se trata. A beleza efetivamente existente é digna do impulso lúdico efetivamente existente; mas o ideal de beleza, que a razão estabelece, propõe igualmente um ideal do impulso lúdico, que o homem deve ter diante dos olhos em todos os seus jogos.

Jamais nos enganaremos se procurarmos o ideal de beleza de um povo pelo mesmo caminho em que ele satisfaz seu impulso lúdico. Se os povos gregos encontravam prazer, nos jogos olímpicos, nas competições incruentas de força, de velocidade e de agilidade, bem como na mais nobre disputa dos talentos, e se o povo romano se deleitava com o combate mortal de um gladiador abatido ou de seu adversário líbio, então esse único traço basta para compreendermos por que devemos procurar as figuras ideais de uma Vênus, de uma Juno e de um Apolo não em Roma, mas na Grécia. A razão, porém, afirma: o belo não deve ser mera vida nem mera forma, mas forma viva, isto é, beleza, pois ela prescreve ao homem a dupla lei da formalidade absoluta e da realidade absoluta. Consequentemente, ela também enuncia: o homem deve jogar apenas com a beleza, e deve jogar somente com a beleza.

Pois, para dizê-lo enfim de uma vez por todas, o homem só joga quando é homem no pleno sentido da palavra, e só é plenamente homem quando joga. Esta proposição, que neste momento talvez pareça paradoxal, adquirirá um significado grande e profundo quando chegarmos a aplicá-la ao duplo rigor do dever e do destino; ela sustentará, eu lhes asseguro, todo o edifício da arte estética e da arte, ainda mais difícil, de viver. Mas essa proposição é inesperada apenas para a ciência; há muito tempo ela já vivia e atuava na arte e no sentimento dos gregos, seus mais eminentes mestres; apenas transportaram para o Olimpo aquilo que deveria realizar-se na Terra. Guiados pela verdade desse princípio, fizeram desaparecer da fronte dos deuses bem-aventurados tanto a seriedade e o trabalho, que sulcam o rosto dos mortais, quanto o prazer vão, que alisa o semblante vazio; libertaram os eternamente satisfeitos das cadeias de todo propósito, de todo dever e de toda preocupação, e fizeram da ociosidade e da indiferença a condição invejada dos deuses, um nome simplesmente mais humano para o ser mais livre e mais sublime. Tanto a coerção material das leis da natureza quanto a coerção espiritual das leis morais dissolviam-se em seu conceito mais elevado de necessidade, que abrangia simultaneamente ambos os mundos, e foi da unidade dessas duas necessidades que lhes surgiu, pela primeira vez, a verdadeira liberdade. Animados por esse espírito, apagaram dos traços de seu ideal, juntamente com a inclinação, também todos os vestígios da vontade, ou, melhor dizendo, tornaram ambas irreconhecíveis, porque souberam uni-las no vínculo mais íntimo. Não é a graça, nem a dignidade, aquilo que nos fala do magnífico semblante de uma Juno Ludovisi; não é nenhuma das duas, porque é ambas ao mesmo tempo. Enquanto o deus feminino exige nossa adoração, a mulher semelhante a uma deusa desperta nosso amor; mas, enquanto nos entregamos, inteiramente abandonados, ao encanto celeste, a autossuficiência divina nos faz recuar. Toda a figura repousa e habita em si mesma, uma criação completamente fechada, como se estivesse para além do espaço, sem ceder, sem oferecer resistência; ali não há força que combata outras forças, nem brecha por onde a temporalidade possa irromper. Irresistivelmente arrebatados e atraídos por um aspecto, mantidos à distância pelo outro, encontramo-nos ao mesmo tempo no estado do mais alto repouso e do mais alto movimento, e nasce aquela maravilhosa comoção para a qual o entendimento não possui conceito e a linguagem não possui nome.

Carta Dezesseis

Da ação recíproca entre dois impulsos opostos e da união entre dois princípios opostos vimos surgir o belo, cujo mais alto ideal deverá, portanto, ser buscado na união e no equilíbrio mais perfeitos possíveis entre a realidade e a forma. Esse equilíbrio, porém, permanece sempre apenas uma ideia, que jamais pode ser plenamente alcançada na realidade. Na realidade, sempre subsistirá uma predominância de um dos elementos sobre o outro, e o máximo que a experiência pode oferecer consistirá em uma oscilação entre ambos os princípios, na qual ora predomina a realidade, ora a forma. A beleza na ideia é, portanto, eternamente una e indivisível, porque só pode haver um único equilíbrio; a beleza na experiência, ao contrário, será eternamente dupla, porque, em uma oscilação, o equilíbrio pode ser ultrapassado de duas maneiras, para um lado ou para o outro.

Observei em uma das cartas anteriores, e isso também pode ser rigorosamente deduzido da sequência do que foi exposto até aqui, que do belo se deve esperar, ao mesmo tempo, um efeito relaxante e um efeito tensionante: um efeito relaxante, para manter tanto o impulso sensível quanto o impulso formal dentro de seus limites; um efeito tensionante, para conservar ambos em toda a sua força. Segundo a ideia, porém, esses dois modos de ação da beleza devem constituir rigorosamente um único e mesmo efeito. Ela deve relaxar precisamente porque tensiona igualmente ambas as naturezas, e deve tensionar precisamente porque relaxa igualmente ambas as naturezas. Isso decorre já do próprio conceito de ação recíproca, segundo o qual ambas as partes se condicionam necessariamente uma à outra e são condicionadas uma pela outra, e cujo produto mais puro é a beleza. A experiência, entretanto, não nos oferece nenhum exemplo de uma ação recíproca tão perfeita; nela, sempre, em maior ou menor grau, uma predominância dará origem a uma deficiência, e a deficiência, por sua vez, a uma predominância. Assim, aquilo que, na beleza ideal, se distingue apenas no pensamento, na beleza da experiência apresenta-se como uma diferença real. A beleza ideal, embora indivisível e simples, manifesta, conforme a perspectiva, tanto uma propriedade relaxante quanto uma propriedade tensionante; na experiência, porém, existe uma beleza relaxante e uma beleza tensionante. Assim é, e assim será sempre, em todos os casos em que o absoluto é colocado dentro dos limites do tempo e as ideias da razão devem realizar-se na humanidade. Assim o homem reflexivo concebe a virtude, a verdade e a felicidade; mas o homem que age pratica apenas virtudes, apreende apenas verdades e desfruta apenas dias felizes. Reconduzir estas àquelas, substituir os costumes pela moralidade, os conhecimentos pelo conhecimento e a felicidade pela felicidade plena, é a tarefa da formação física e moral; fazer das belezas a beleza é a tarefa da formação estética.

A beleza tensionante é tão incapaz de preservar o homem de um certo resquício de selvageria e dureza quanto a beleza relaxante o é de protegê-lo de um certo grau de moleza e enfraquecimento. Pois, como o efeito da primeira consiste em tensionar o ânimo tanto física quanto moralmente e aumentar sua força de reação, acontece com demasiada facilidade que a resistência do temperamento e do caráter diminua a receptividade às impressões; que também a humanidade mais delicada sofra uma repressão que deveria atingir apenas a natureza bruta; e que esta participe de um acréscimo de força que deveria pertencer somente à pessoa livre. Por isso encontramos, nas épocas de vigor e de abundância, a verdadeira grandeza da imaginação associada ao gigantesco e ao aventureiro, e a elevação das disposições morais unida às mais terríveis explosões da paixão; por isso veremos, nas épocas da regra e da forma, a natureza ser reprimida com a mesma frequência com que é dominada, e ofendida com a mesma frequência com que é superada.

E, como o efeito da beleza relaxante consiste em relaxar o ânimo tanto moral quanto fisicamente, acontece com igual facilidade que, juntamente com a violência dos desejos, também a energia dos sentimentos seja sufocada, e que o próprio caráter compartilhe de uma perda de vigor que deveria atingir apenas a paixão. Por isso veremos, nas chamadas épocas refinadas, a delicadeza degenerar, não raramente, em moleza, a simplicidade em superficialidade, a correção em vazio, a liberalidade em arbitrariedade, a leveza em frivolidade e a tranquilidade em apatia, e veremos a mais desprezível caricatura confinar imediatamente com a mais elevada humanidade. Para o homem submetido ao jugo da matéria ou das formas, a beleza relaxante é uma necessidade, pois ele é tocado pela grandeza e pela força muito antes de se tornar sensível à harmonia e à graça. Para o homem entregue à indulgência do gosto, a beleza tensionante é uma necessidade, pois ele perde, com excessiva facilidade, no estado de refinamento, a força que trouxe consigo do estado de selvageria.

Creio agora ter explicado e resolvido aquela contradição que frequentemente se encontra nos juízos dos homens acerca da influência do belo e na apreciação da formação estética. Essa contradição se explica tão logo nos recordemos de que, na experiência, existem duas espécies de beleza, e que cada uma das partes atribui ao gênero inteiro apenas aquilo que é capaz de demonstrar de uma de suas espécies particulares. Essa contradição desaparece tão logo distinguimos a dupla necessidade da humanidade, à qual corresponde essa dupla beleza. Assim, é provável que ambas as partes tenham razão, desde que primeiro se entendam sobre qual espécie de beleza e qual forma de humanidade têm em mente.

Prosseguindo, portanto, em minhas investigações, adotarei também como meu o caminho que a natureza segue com o homem do ponto de vista estético e me elevarei das espécies de beleza ao conceito geral da beleza. Examinarei os efeitos da beleza relaxante sobre o homem tensionado e os efeitos da beleza tensionante sobre o homem distendido, para, por fim, dissolver essas duas espécies opostas de beleza na unidade da beleza ideal, assim como aquelas duas formas opostas de humanidade desaparecem na unidade do homem ideal.

 
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from cy520569

For years, most conversations about AI-generated audio focused on productivity. Better voiceovers, faster content creation, multilingual narration, and automated customer support all sounded like obvious improvements.

Recently, however, I found myself looking at the same technology from a completely different perspective.

The more realistic AI-generated audio becomes, the less we should assume that a familiar voice represents a trusted identity.

That shift has important implications for developers, security engineers, and anyone building applications that rely on spoken communication.

Voice Was Never Designed to Be Authentication

Many organizations still make informal security decisions based on voice.

A manager leaves a voice message.

A teammate sends an audio update.

A customer support agent verifies information during a phone call.

None of these workflows were originally designed as secure authentication methods, yet people often treat them that way.

As synthetic speech becomes increasingly realistic, voice alone should no longer be considered sufficient proof of identity.

The challenge isn't that AI can perfectly imitate every speaker.

The challenge is that convincing audio is often “good enough” to influence human decisions.

The Security Question Isn't “Can AI Generate Audio?”

That question has already been answered.

A more useful question is:

How should systems be designed once realistic AI-generated audio becomes widely accessible?

Instead of focusing only on generation quality, developers should also consider:

  • Can users distinguish synthetic audio from recorded speech?
  • Should important voice instructions require a second verification step?
  • Can generated audio be traced back to its source?
  • How should organizations log AI-generated media?

These questions belong in software architecture discussions—not only security audits.

Prompt Engineering Has Security Implications

One interesting observation from my own experiments is that prompt design affects more than creative quality.

A vague prompt often produces inconsistent results.

A carefully structured prompt can generate speech that sounds significantly more coherent and believable.

As prompt engineering continues to improve, defensive thinking needs to evolve alongside it.

Security reviews should evaluate not only model capabilities but also how those capabilities could be misused in real-world workflows.

Practical Design Principles

Developers building applications with AI-generated speech should consider a few practical safeguards:

  • Clearly indicate when audio is synthetic.
  • Avoid using voice alone for identity verification.
  • Keep audit logs for generated media.
  • Require multi-factor confirmation for sensitive requests.
  • Educate users that realistic audio should not automatically be trusted.

None of these measures eliminate risk, but together they reduce opportunities for social engineering.

Technology Is Neutral—System Design Is Not

While exploring modern AI audio generation workflows, I experimented with Seed Audio 1.0 to better understand how prompt-driven dialogue, ambient sound, and background audio can be generated within a single workflow.

The experiment reinforced an important conclusion.

The technology itself is neither trustworthy nor dangerous.

Security depends on the surrounding system: how generated content is labeled, how identity is verified, and how people are trained to evaluate increasingly convincing synthetic media.

Final Thoughts

Generative AI will continue to make digital communication faster, cheaper, and more accessible.

At the same time, it challenges one of our oldest assumptions—that hearing a familiar voice is enough to establish trust.

For developers and security professionals, the goal should not be resisting AI-generated audio.

The goal should be building systems that remain trustworthy even when realistic synthetic audio becomes an everyday part of the internet.

 
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from 東方琉璃淨土

你以為只是隨手滑到一則讓人火大的智障貼文?這正是精心設計來玩你的陷阱!那些刻意挑起你憤怒與不安的「憤怒誘餌」(Rage Bait),目的就是要把你這根雜草,長時間圈在負面情緒裡當流量韭菜。

這場看似只發生在螢幕上的心理戰,每天都在你體內點燃大量的腎上腺素,讓你的細胞陷入無謂的超載空轉。本文將從粒線體科學的「能量阻抗」視角,拆解網路上的刻意訊息如何一步步引發慢性發炎、吞噬你的身體動力,最終演變成摧毀你整具實體身體的慢性疾病。最喜歡被操弄就集體高潮的低級知識份子們了 xd


目錄


三個關於能量的破壞事實

Martin Picard 是哥倫比亞大學的粒線體生物學家,他指出關於能量在人體裡如何運作、又是如何被破壞,有三件最基礎的事。

第一:當能量停止流動,生命即告結束。 一具屍體和一個活生生、會思考的人之間,差別就是能量的流動。當能量流動受阻或停止,身體的功能就會崩解。

第二:你有一份固定的能量預算。 系統的總能量是有限的。硬把太多能量(尤其是糖)塞進系統,就像把電壓調得太高,系統會開始過熱——發炎(inflammation)本質上就是這種能量過剩、系統過熱的破壞訊號。

第三:錯誤的阻抗會引發系統潰散。 當能量在體內遇到無法疏導的屏障,就會轉化成對組織的破壞。

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能量阻抗:一個公式串起糖尿病、癌症與阿茲海默症

Picard 說,很多疾病都可以用「能量阻抗」(energy resistance)來理解。他給的定義很簡單:

要素 意義
能量需求(demand) 某個組織、細胞正在消耗多少能量
流動能力(flow capacity) 系統實際能讓多少能量順暢流過
能量阻抗 需求 ÷ 流動能力

當需求很高、但流動能力跟不上,阻抗就飆高。能量像水流,如果前面有一道完全沒有洩洪口的壩,水就會累積、壓力升高,最後淹過堤岸、破壞四周。

糖尿病是最清楚的例子。如果你長期把太多糖(電子)推進系統,肌肉細胞為了自保,會把表面的胰島素受體「拔掉」——變得對胰島素不敏感。這會導致血糖升高、脂肪堆積。因此,肥胖本質上是身體對抗「能量阻抗過高」所產生的病理症狀。

癌症則呈現另一種面貌。癌細胞會「拋棄」自己的粒線體,退回到厭氧、只顧自己複製的狀態。正常情況下,粒線體能在細胞出問題時觸發它自殺;但癌細胞藉由拋棄粒線體,等於讓自己對這種自我清除的指令免疫,進而演變成惡性腫瘤。

阿茲海默症也是一種能量流動受阻的狀態。在早期,某些特定腦區的能量需求會過度代謝,這會讓腦區「累壞」,隨後轉為能量不足與代謝低下。這時大腦不只燒的能量變少,葡萄糖也更難進入腦中被利用,症狀便全面浮現。

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網路精準訊息與 Rage Bait:壓力如何摧毀你的身體

當你在社群中面臨威脅,身體的細胞會受到壓力荷爾蒙——腎上腺素的訊號驅使,讓能量消耗大幅暴增。

現代人最嚴重的慢性破壞,往往來自數位環境。例如:有人在網路上刻意發布訊息要給你看,內容可能是你非常不喜歡的內容,或是精心設計的「憤怒誘餌」(rage bait)。 當你看到這些訊息,你的心理會立刻產生一個故事,並在體內點燃大量的腎上腺素。此時,細胞被迫進入高度戒備,血液裡一個名為 GDF15 的能量壓力標記就會隨之飆升。

這條破壞鏈的關鍵在於:這些網路機制會長時間把你圈在裡面,長時間強迫你注意到這些惡意訊息,刻意引起你的負面情緒,目的是一定要讓你做出反應。

當這種狀態變成慢性化,長期累積的 GDF15 會直接對大腦與身體下達錯誤指令:

  1. 阻斷動力:大腦會誤以為某個地方快沒能量了,讓你失去動力、感覺憂鬱、陷入「生病行為」,使你整個人長期處於慢性疲勞中。
  2. 錯誤囤積能量:大腦會把葡萄糖和脂肪送進血液,由於身體根本沒有實際的體力活動去消耗,這些脂肪就會囤積在內臟,變成有害的腹部脂肪。

這種因 rage bait 引起的慢性緊繃,會連續好幾週、好幾個月揮之不去。長期下來,體內的粒線體會因為這種無謂的空轉與能量阻抗而壞死,最終破壞整具身體,引發思覺失調、心血管疾病、高血壓,甚至提高整體的死亡風險。

而且要小心,有人會用Agentic AI,來跟你玩 XD

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from cy520569

Artificial intelligence has become part of everyday workflows.

Developers use AI to generate code snippets. Writers use AI to organize ideas. Designers use AI to prototype concepts. Security teams are increasingly encountering AI-generated content in both legitimate and malicious contexts.

The conversation often focuses on whether AI is “good” or “bad.”

I think the more interesting question is different:

How do we integrate AI into our workflows without sacrificing security, privacy, or critical thinking?

AI Is a Tool, Not a Decision Maker

One of the biggest mistakes people make is treating AI output as authoritative.

Large language models can generate convincing explanations that are partially or completely incorrect.

Image and video models can produce realistic content that never existed.

This means that verification becomes more important, not less.

The more capable AI becomes, the more valuable human judgment becomes.

Faster Prototyping Has Security Implications

AI dramatically reduces the cost of experimentation.

A concept that once required hours can often be tested in minutes.

This is useful for defenders and attackers alike.

Security awareness teams can create educational content more quickly.

Researchers can summarize findings faster.

At the same time, threat actors can automate content generation and social engineering at greater scale.

Technology itself remains neutral.

The impact depends on how it is used.

Evaluating AI Tools

When testing any AI platform, I try to ask a few simple questions:

  • What data is collected?
  • How is user content stored?
  • Is there transparency around processing?
  • Can I verify the generated output?
  • Does the tool improve my workflow or simply add complexity?

These questions matter more than feature lists.

A Practical Example

Recently, while exploring AI-assisted content creation, I experimented with Kling 3.0 AI Video Generator.

What interested me most wasn't the generated video itself, but the speed at which ideas could be transformed into prototypes.

From a security perspective, this reinforces an important lesson: content authenticity can no longer be assumed simply because something looks professional.

Verification must become part of the workflow.

Final Thoughts

AI is not replacing human expertise.

If anything, it is increasing the importance of skepticism, validation, and informed decision-making.

Security professionals have always relied on evidence rather than assumptions.

The same principle applies to AI.

Use the tools.

Experiment with new workflows.

But never stop verifying the results.

 
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from Sirius

Haaland, Messi e Mbappé Após as atuações de gala de Mbappé, Messi e Haaland por suas seleções, com dois gols do francês contra Senegal, um hat-trick do argentino diante da Argélia e dois gols do norueguês contra o Iraque, resolvi fazer algumas ponderações futebolístico-filosóficas, ao estilo do futebol filosófico do Monty Python.

Messi, Mbappé e Haaland encarnam a exemplaridade atlética máxima em suas seleções. Na visão de Sloterdijk, que propõe uma ordem antropotécnica, eles seriam os “aristocratas do esforço” no topo da acrópole competitiva global. Mas acho que o treino e o esforço explicam nossa admiração em apenas uma dimensão.

O Messi do hat-trick de ontem, por exemplo, já não depende tanto do vigor físico; ele é como uma entidade incorporada ao campo, dotada de uma percepção das possibilidades que excede a dos demais, exibindo uma graça que escapa à pura força e agilidade do Haaland ou Mbappé.

Tenho a teoria de que o futebol cativa tantas pessoas porque indivíduos assim convertem a superação humana numa plasticidade sublime, uma potência que comove, arrebata e causa espanto. Isso se manifesta nos gritos de espanto da torcidaa, com um sonoro “– OOoooooohhh” coletivo, quando esses craques atravessam as linhas de defesa ou quando um Messi encontra um passe invisível para os demais, produzindo uma ruptura momentânea nos limites do que julgavam possível.

Os espectadores na arquibancada experimentam algo próximo do espanto filosófico: “como isso foi possível?” E Sócrates, segundo Platão, já nos lembrava que a filosofia nasce justamente da nossa capacidade de se espantar (thauma).

#Futebol #Filosofia #Antropotécnica #Estética #Sublime

 
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from Dr. Sbaitso

Do you have a new/new-to-you/used Windows device that needs a fresh start? Here's the process I've refined for myself over the years to get the best, most usable device possible. Start with zero added crap like McAfee or manufacturer sales programs.

You'll need a couple of USB flash drives for this process. Grab one that's at least 16 GB (install media) and one that's at least 32 GB (data backup). If you're going to be doing this often, you can replace the install media flash drive with an IODD device. I've got one with a 1TB SSD with a bunch of Windows and Linux ISOs, a separate folder for drivers, and a little 1 GB FAT32 partition specifically for holding BIOS updates.

Step 0: BACK UP YOUR DATA. On a separate, external device like the 32 GB or larger flash drive. Copy your user profile(s) and set it aside. You can just copy C:\Users and get 99% of things you'll care about. Get one that's visually distinct, label it, and put it somewhere else so you don't overwrite it. Do this even if you have multiple drives in the system. Don't count on your ability to keep internal storage devices straight. You can skip this step if you're pulling the device straight out of the box.

Step 1: Prepare Media. This requires a working computer.

Microsoft provides clean (for Microsoft) Windows 11 ISOs directly on their website: https://www.microsoft.com/en-us/software-download/windows11 Download the ISO directly from Microsoft. Don't download the ISO from any third-party sites. You can also use the Microsoft “Create Windows 11 Installation Media” program which will automate a lot of the process.

With the Windows 11 ISO, you can use Rufus to create your Win11 install flash drive. Rufus can do some fun things like kill the Microsoft Account requirement.

MAKE SURE YOUR INSTALL USB DEVICE ISN'T YOUR BACKUPS USB DEVICE

You can also just dump multiple ISOs on your IODD. I keep older versions of Win11 install ISOs around specifically so I can just use the bypassnro trick to create a local account, but there will probably always be some option to get around the online account requirements.

Step 2: In addition to Windows, there are a couple of other things you want to grab.

Check to make sure you have the latest UEFI (AKA/FKA BIOS) version for your device. Get this from the vendor with their name on the box directly from their website. Download the version specific to your model/serial number.

Also grab the latest system/platform, graphics, and network/wifi drivers from the manufacturer's website. 90% of these “executables” will be zip files that you can extract and point Windows at the folders later.

Lastly, you want to grab other stuff you want to install immediately. For me, that's Privacy.Sexy, WinAeroTweaker, Vivaldi browser, a Copilot Killer Script and the latest releases of PowerShell, Windows Terminal, and PowerToys.

After you create your install USB, you can copy the BIOS update, drivers, and miscellaneous programs to it.

Step 3: Update UEFI/BIOS. Specifics are going to depend on your device and its process. Make sure you're on the most recent version, especially because of the Secure Boot certificate expirations.

Step 4: Boot Windows 11 Installer. Start fresh, blow away everything on the existing internal drive. The default manufacturer programs are almost never worth saving. The restore partitions are going to have old crap that will be replaced almost immediately when you start updating.

Modern devices won't have a Windows license sticker; the key is baked into the UEFI. Sometimes the Windows installer will pick up the right edition (home/pro/enterprise), sometimes you have to select it yourself. Either way, you can install Win11 without needing to provide a license key at this step. See also the MAS further down.

Step 5: Install drivers for devices Windows didn't handle during installation. The old Device Manager still exists. Right-click on the Start button/Windows logo, and select “Computer Management”. There you can see devices, including ones that don't have working drivers. Either run the executables you downloaded earlier, or right-click on the problem device and “Update Driver”, pointing it at the folders you unpacked.

Step 6: Kill the annoying semi-setup bullshit Windows pulls after updates. Settings app –> System –> Notifications –> Additional Settings –> Uncheck “Suggest ways to get the most out of Windows and finish setting up this device” and “Get tips and suggestions when using Windows”. These are the terrible interruptions Microsoft has started imposing after some updates that will do the absolute bullshit like tricking you into using Onedrive or switching your browser back to Edge. They're gross and terrible and if we had working antitrust enforcement they'd get another deserved crotch-kicking over it.

Step 7: Run the RemoveWindowsAI script. Kill it all, roll back to “classic” Paint/Notepad/Snipping Tool. Uninstall a bunch of MS garbage like Onedrive, Teams, the Office stub, and whatever else you don't need.

Step 8: Install PowerShell7/Terminal/PowerToys, configure to taste. You can install MS Office here too, if you need it. If you don't, we'll install LibreOffice later.

Step 9: Update Windows. Settings –> Windows Updates –> Check for Updates and Advanced Options –> Optional Updates. Just grab everything, get to the latest version. Check “Receive updates for other Microsoft products” too. This covers MS Office and PowerShell. This will take a while, and make sure the bullshit in step 6 didn't get re-enabled.

Step 10: Run the RemoveWindowsAI script again, because “no” isn't a term Microsoft understands.

Step 11: Install Vivaldi, set as default browser, configure as desired. For me that's a dark mode theme, crank the built-in ad-blocker to max, make Settings a tab instead of its own window, setting the search engines to DuckDuckGo, and install the extensions for 1Password, PrivacyBadger, and uBlock Origin.

Step 12: Install/run Privacy.Sexy and WinAeroTweaker.

Privacy.Sexy can break things, so I normally just use the “Standard” setting. I've had good luck with its revert options when it DID break things, but your mileage will vary.

WinAeroTweaker will restore some older Windows defaults to their better options. Once you find settings you like you can save and load those settings to a simple file.

Step 13: Verify Windows activation. Settings –> System –> About –> Product Key and Activation. The system has probably already activated itself in the background. If not, do it now. Or not. I'm not the software police. You can also use the MassGrave Activation Scripts, at your own risk.

USE AT YOUR OWN RISK: Massgrave.dev has published the “Microsoft Activation Scripts (MAS)” on MassGravel GitHub: https://github.com/massgravel/Microsoft-Activation-Scripts These can be used to activate Windows and Office through a couple different methods.

Step 14: Everything else. I've used Ninite for decades to bootstrap a bare computer into usability. Check the boxes, get an executable that will download and install the apps with the best defaults. Only criticism is the free version dumps a bunch of icons on your desktop.

My personal absolute minimum app list is this: Vivaldi Firefox WinDirStat 7-Zip VLC Notepad++

For utility, I'll add these: Paint.NET IrfanView LibreOffice FileZilla

You can keep the Ninite executable around and rerun it later to update existing installs. The EXE isn't locked to a specific machine, so if you're doing several machines you can just dump it on the install flash drive and run it directly.

Manufacturer utilities like Dell's SupportAssist can be okay, but you've got to keep a close eye on them to make sure they don't do something dumb like install McAfee for “free”.

Step 15: Restore your documents/pictures/music/miscellaneous backed-up data. Now's a good time to make sure you have a comprehensive and tested backup scheme for your data too.

Now you should have a usable, fast Windows 11 device with the minimum Microsoft bullshit hanging around.

#Windows #Microsoft #Laptop #PC #Security #Reinstall #Copilot #Malware #Dell #HP #Lenovo #ASUS #Acer

 
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from Security Through the Looking Glass

This is the second entry in a series. If you haven't read the previous one, now might be a good time. If you're all caught up, then let's get into it.

Viable systems exist within an environment. They adapt to the environment, but they may also change the environment as they adapt and grow. Beavers evolved to build dams, and in doing so they changed the ecosystems in which they evolved. A successful company will change the market. A successful non-profit will change their domain. But even a stable company is only one entity within the environment. Other companies, NGOs, consumers, and the public sector all exist within this same environment. Regulations, technological advancement, and customer tastes all shift the environment.

Within this dynamic environment, what are you doing to track changes that impact your viability? How are you connecting environmental changes, such as regulation, to internal constraints, such as those that drive compliance enforcement and verification?

A security program will need to focus on a specific subset of this question. How do you monitor threat actors? The evolution of threat actors and their attack profiles must inform your risk model and prioritization. As defenses evolve, threat actors adapt and their attack patterns change. How do you collect data? How do you process it into intelligence that's actionable by people on your team?

Similarly, a security program will need a mechanism to track external changes to its attack surface in the form of supply chain risk management. What mechanisms do you have in place to track vulnerabilities in third party libraries, applications, and appliances that you use? How do you make sure that information (and specifically that information, not a flood of false positives) gets to people who can act on it?

We will come back to threat actors and vulnerability management in other articles.

Keeping track of you constraints as they evolve is only half of the constraint management equation. The other half is algedonic signaling. How do you know when constraints are violated?

In the body, an algedonic signal is a basic “pleasure or pain” signal, like those we started with. When your body is hungry, you feel it. When you get hungry enough, it hurts. The signal isn't detailed. It doesn't provide much information. It's simple and generally easy to investigate. Many signals, such as hunger, are intuitive. We learn to understand them immediately and without investigation.

All constraints should be tied to “algedonic” signals that trigger when they violated. But are they? If you've recorded your constants (as described in the previous article) then you can perform a gap analysis.

For each constraint you have identified, write down the signals that fire when those constraints are violated. For any gaps you identify, and figure out a plan to close them. Are there constraints you have listed that you would feel comfortable not being alerted of in case they are violated? Those are not really constraints (at least not at your level) and they should be removed from your constraint list.

Anyone who has worked in tech long enough has seen some variation of alarm fatigue. Perhaps it has even been you who has had an email filtering rule that dumps alerts into a folder that is periodically cleared without any messages ever being read. Many security engineers will have had the experience of pointing to a vulnerability found by some automated scanner or other, a vulnerability which has since been then verified by a security engineer, and asking, “why was this been marked as a false positive?” Perhaps you've observed to someone frantically clicking through a series of dire warnings, recognizing that the warnings intended to stop them have simply trained them to click fast without thinking. Too many signals can overwhelm a system. Notice that I'm not specifying spurious signals. Accuracy is also a problem, but sheer volume of accurate signals can be enough.

Then what is the mechanism by which signals are reduced? Common frameworks can address common vulnerabilities. Many security programs will look for security violations: insecure software being used, vulnerabilities in software being developed, and so on. There are infinitely many ways to implement software insecurely. There may well be as many ways to implement software securely. Sorting between these sets requires tremendous knowledge and has a high probability of failure. By restricting the definition of “secure” as complying with a specific set of vetted patterns, software, hardware, configurations, and the like, the verification work is reduced.

Security Engineering can work on identifying common problems, addressing them with vetted patterns, and ensuring deployed patterns are updated as needed. This internal optimization work helps make the external signals around supply chain risk into something manageable. These restrictions are enforced not by complete refusal to use software, hardware, or configurations not explicitly allowed, but by adding friction, in terms of additional auditing or monitoring requirements, for teams trying to use them. Critical deviations will still be possible, at a cost, and most users will choose the path of least resistance.

Compliance work may revolve around understanding what regulations apply to software, what assets regulatory bodies need, and making sure those assets can be delivered. But it can be easy to miss that compliance can reduce regulatory risk through early intervention. By providing guidance that allows software to be designed in a way that avoids falling under regulation, or by concentrating regulatory risk in a smaller set of components, complexity, and the risk of signal overwhelm, can be reduced.

While cybernetics foregrounds the importance of complexity management, encapsulated as Ashby's Law of Requisite Variety, security program leadership can struggle to see the forest for the trees. In the frantic struggle to fight all the fires, it can be difficult to even notice the larger patterns. This is exactly where cybernetics can help us most.

The VSM defines a set of metasystemic subsystems that manage any system. In the first article we talked about the system itself as an entity surviving within and adapting to an environment. We connected that to the Identity subsystem, and how invariants inform constraints through identity.

In this article, thus far, we have talked more about that dynamic environment and how we need an Awareness subsystem to track environmental changes. We've also talked about managing complexity through synergy using an Optimization subsystem. This leaves two more metasystemic components to cover: Internal Audit and Learning, and Harmonization. Before we talk about those, let's jump down the stack one more time. What are these subsystems learning about, auditing, and harmonizing? All of these metasystemic functions exist to support the Operational Units. Operational Units “do all the work that keeps the system alive.” In the body these are the muscles and organs that breath air, find food, digest food, and remove waste.

While the brain, the metasystem, directs the activity, it is the rest of the body that realizes that activity. It is important to keep this fact in mind as we try to understand the role of security in an organization. With this in mind, let's return to where we were.

The Optimization subsystem can passively coordinate optimization opportunities that are identified by subsystems, but it can also look actively collect data. Internal Audit and Learning is a subsystem of optimization that performs audits and looks for anomalies. Security folks may well be taking notice, recognizing some of our own work in this subsystem. But it's a little more complex than that. Let's talk about the Harmonization subsystem.

The function of the Harmonization subsystem is, essentially, to keep operating units from interfering with each other. If Operational Units are sharing compute resources, for example, Harmonization would include things like permissions and quotas. The VSM says that operational units should have maximal autonomy, but each Operational Unit must be prevented from threatening the viability of the system itself.

Now we, security, can really see ourselves in our familiar role with our familiar problem. Each operational unit may be trying to create a product, ship software or hardware, or to provide a service, but in doing so they can increase the attack surface. Promotion driven development may push team leads to compete to get software out faster and cheaper, incentivizing them to cut corners wherever they can. They ask if they can reduce the scope of a review, or push now and fix later. They may even push features that change the threat model but are, somehow, also “too minor for a security review.”

They each individually peruse their own objectives, and in doing so threaten the security of the organization as a whole. But when vulnerabilities are found, and perhaps even exploited, within a team's code the company as a whole bears the burden. Isn't it interesting that security tends to behave similarly to police, when, in actuality, our job is that of commons management.

Customer trust and internal funds are parts of the internal commons threatened by through a company's collective attack surface. The job of security is to coordinate teams across the company to ensure attack surface is minimized. Security works to protect customer trust from reputational threats, and funds from regulatory action and illegitimate compute usage.

Companies mature enough to understand that “policy enforcement” needs to have teeth, often become too big for that same enforcement role to maintain visibility. Companies that haven't reached that level of maturity simply don't give “policy enforcement” the tools to actually “enforce” anything. “Policy enforcement” creates an adversarial relationship between security and operational units that makes everyone's job harder. By recognizing security as a support role, rather than an authority that demands obedience, we can focus on building the relationships we need to protect the organization that we all share.

The economist Elinor Ostrom worked extensively on commons management, but the rules she developed are outside the scope of this work. That said, we will briefly touch on five rules for commons management will help simplify our work:

  1. Commons must have clearly defined boundaries.
  2. Commons must be monitored.
  3. Those who abuse the commons must be sanctioned.
  4. Commons management must have authority.
  5. Commons management works better when the specific commons exists within a larger commons framework.

We have already touched on both the “authority” and “abuse” elements, though we'll need to come back to those later. In the next section we'll align all of these into a process that's driven by a new threat modeling methodology. This new methodology will pull from the information we established in the first section, and the program we build around it will revisit many of the concepts we've introduced in this section.

 
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from Security Through the Looking Glass

If you are unable to get yourself food or water for a long enough period, you will die. We all know this. Our bodies tell us this with hunger and thirst. After a while we start to hurt, a headache or aching stomach. We will be compelled to do something about it, perhaps anything, to survive. You may even feel a bit of anxiety now even just thinking about it.

Some people override these signals consciously. They fast for religious reasons. They go on hunger strikes to resist oppression in the only way they can, or raise awareness about a problem that isn't getting attention. What self-control, one might say, imagining Kafka's Hunger Artist sitting stoically in his cage as he wastes away. (I mean, no one would say that, but I'm not going to miss such a good opportunity to throw in a Kafka reference.)

Control, including both the signals the body sends to the mind and the ability of the mind to override them and dictate the body, is precisely the subject of the study of cybernetics. But cybernetics, of course, isn't specific to biological system. It abstracts concepts into models that can be applied to plants, animals, machines, social systems, and many other things. One such model is the Viable System Model (VSM).

The VSM describes the abstract control components that a system needs in order to “remain viable.” The “viable” part of that is defined by a specific set of invariants. For biological things that means “have enough water,” “have the right nutrients,” “have enough food,” etc, while for businesses that generally means something like “have employees” and “remain solvent.”

All viable systems exist within environments and viability can only be described within the context of these environments. Their existence within an environment necessarily changes that environment, and changes to the environment may influence their viability.

The VSM, as a model, helps us think about the mechanisms which must exist, and the ways in which they must exist, within a system in order to maintain viability. Positively it tells us how to make a system viable or check that a system is viable. But that necessarily means it also happens to be useful for modeling.

So let's take these concepts and begin to think about how we can leverage the power of cybernetics to design or improve a cybersecurity program.

We need to start at the heart of the matter: viability. Whatever you're trying to protect either is a system that must remain viable, or exists within a system that must remain viable. Things that threaten that viability are called “threats,” where a “security threat” is a subset of those threats such that the threat may be intentionally realized by an actor. Now, by “remain viable,” we mean “must maintain a set of invariants.”

A company, as we have discussed, needs (at least) employees to work and money to pay them (if no others). These are the minimal viability invariants of a company. A department within a company may have constraints, perhaps based on metric targets or goals: must maintain 10% customer growth, must achieve positive cash flow for product sales by the end of the year, etc. Subsystems, teams, subteams, individuals, software, will all derive their own constraints (explicitly or implicitly) from these root invariants.

A system's invariants are enforced by the parent system (directly or through inheritance, say, from the laws of physics). Constraints are derived by the system or parent system in order to protect the system against violating the invariant within a specific environmental configuration. As the environment changes, constraints will also need to change; invariants must remain true as a property of the system across all possible environments.

So then, what are those invariants for the highest level system for which you are responsible? List them.

A system does specific things, generally in a specific way, in order to avoid violating these invariants. This defines the system identity. A store sells things within a specific market niche. A manufacturer makes stuff, from specific materials, with specific tools, for a specific market niche. I am a security engineer. I am writing about security. I may be able to pivot between security engineering work and technical writing, but if I try to be a baker tomorrow, and a landscaper next Tuesday, and a carpenter the following Friday, I will quite likely threaten my income. Without income, I will struggle to maintain the housing and food I need to maintain the constraints of temperature and caloric intake that keep me viable. As difficult as it would be for me, as an individual, to rapidly pivot, all the more-so for the shoe store to become a butcher or the cabinet factory to pivot to pharmaceuticals.

Identity informs constraints. What then is the identity of the system for which you are responsible? Are you responsible for a subsystem, such as a department or team, where your identity is derived from a parent system? If yes, how so? Write these things down.

What are the constraints that keep you from violating these invariants? List them.

These constraints may be things like “service and labor spend must be lower than customer provided income,” “services must comply with all applicable regulations to avoid fines,” or “the business must operate in a way consistent with the ethical framework of the community in order to retain employees and reduce retaliatory risk.”

Constraints will be derived from invariants, through various levels of system identity. If you are mapping constraints for a subsystem, you should be able to contextualize these constraints at least within the context of the next level of parent system above yours. A team should understand the department it's working it, a shop should understand regional goals.

You have been asked to record other peaces of information, such as invariants, identity, and derived constraints. This specific information will be useful in the future. But while invariants won't change, and Identity should rarely or never change, constraints are a product of invariants interfacing with a dynamic environment through identity.

This introduces us to the highest level cybernetic metasystemic function, and the dynamic environment within which a viable system must exist. This will set us up to talk in the next essay about the remaining metasystemic functions that allow our system to adapt to this dynamic environment, internally regulate, and manage complexity. In the third essay, we will revisit what you have written down here and use it to think differently about threat modeling.

For many organizations today, threat modeling lies somewhere between theater and magical thinking. Design remains uninformed by threat models, and threat models become dead documents that are written once and thrown away. Assets that should be related to threat models, such as incident response plans, remain disconnected. What should be a tightly-knit living web of knowledge about the risk lifecycle of software becomes an archipelago of dead and disconnected data.

This dead chaos breeds complexity, complexity that can be absorbed by a living knowledge system and a process that builds and leverages that knowledge. By putting the “cyber” back in cybersecurity, we will be able to build a security program that is actually able to consume the complexity we are experiencing today, and not choke. Keep your notes from this section. You will need them for the section on threat modeling.

 
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from Nomos

Por George Herbert Mead em A Filosofia do Presente (EUA, 1932)

O tema desta conferência encontra-se na proposição de que a realidade existe em um presente. O presente, naturalmente, implica um passado e um futuro, e negamos existência a ambos. A sugestão de Whitehead de que, à medida que os presentes especiosos variam em extensão temporal, pode-se conceber um único presente capaz de abranger toda a realidade temporal, aparentemente nos deixaria a passagem, mas eliminaria o passado e o futuro. Seja o que mais fosse, isso não seria um presente, pois aquilo de que ele tivesse passado não teria deixado de existir, e aquilo que está por existir já estaria nesse presente inclusivo. Poder-se-ia duvidar se isso ainda preservaria o caráter da passagem, mas, em todo caso, a natureza essencial do presente e da existência teria desaparecido. Pois o que caracteriza um presente é o seu tornar-se e o seu desaparecer. Enquanto o clarão do meteoro atravessa nossos próprios presentes especiosos, ele está inteiramente ali, ainda que apenas por uma fração de minuto. Estender essa fração de minuto a todo o processo do qual ela é um fragmento, conferindo-lhe a mesma solidariedade de existência que o clarão possui na experiência, seria apagar sua natureza como evento. Tal conspecto da existência não seria um presente eterno, pois não seria um presente de modo algum. Tampouco seria uma existência. Pois uma realidade parmenidiana não existe. A existência envolve a não-existência; ela efetivamente ocorre. O mundo é um mundo de eventos.

Há pouco propósito ou proveito em estabelecer antinomias e derrubar uma por meio da outra, ou em relegar a permanência a um mundo subsistente e atemporal enquanto o evento, no qual nada existe além de passagem, é transformado no elemento substancial das coisas existentes. O caráter permanente que nos interessa é aquele que permanece na existência, e diante do qual a mudança também existe. Há, isto é, o passado que se expressa na irrevogabilidade, embora jamais tenha existido na experiência um passado que não tenha mudado com o passar das gerações. Os passados nos quais estamos envolvidos são ao mesmo tempo irrevogáveis e revogáveis. É inútil, ao menos para os propósitos da experiência, recorrer a um passado “real” dentro do qual fazemos descobertas constantes; pois esse passado deve ser contraposto a um presente no qual o emergente aparece, e o passado, que então precisa ser considerado do ponto de vista do emergente, torna-se um passado diferente. O emergente, quando aparece, é sempre encontrado como decorrente do passado, mas antes de aparecer ele não decorre do passado, por definição. É inútil insistir em caracteres universais ou eternos pelos quais eventos passados possam ser identificados independentemente de qualquer emergente, pois estes ou estão além de nossa formulação ou tornam-se tão vazios que não servem a nenhum propósito de identificação. A importância do infinito no pensamento matemático antigo e moderno ilustra essa impotência.

Permanece a possibilidade de empurrar toda a realidade efetiva para um mundo de eventos em um espaço-tempo minkowskiano que transcende nossos referenciais, e os caracteres dos eventos para um mundo de entidades subsistentes. Até que ponto tal concepção da realidade pode ser logicamente elaborada eu não pretenderei discutir. O que me parece interessante é o significado que um conceito como o de irrevogabilidade possui na experiência.

Não gastarei tempo nem retórica apresentando o quadro em movimento das histórias que sucederam umas às outras desde os mitos das eras primitivas até o relato de Eddington ou Jeans sobre “O Universo ao Nosso Redor”. Interessa apenas notar que a rapidez com que esses passados se sucedem aumentou continuamente com o aumento da exatidão crítica no estudo do passado. Há uma ausência completa de finalidade em tais apresentações. É, naturalmente, implicação de nosso método de pesquisa que o historiador, em qualquer campo da ciência, será capaz de reconstruir o que aconteceu como um relato autenticado do passado. Contudo, aguardamos com vivo interesse a reconstrução, no mundo que será, do mundo que foi, pois percebemos que o mundo que será não pode diferir do mundo que é sem reescrever o passado para o qual agora olhamos retrospectivamente.

E, no entanto, o caráter de irrevogabilidade jamais se perde. Aquilo que aconteceu foi além de qualquer possibilidade de recuperação e, seja o que tenha sido, seu deslizar para o passado parece colocá-lo além da influência de eventos emergentes em nossa própria conduta ou na natureza. É o “o que ele foi” que muda, e esse título aparentemente vazio de irrevogabilidade liga-se a ele, venha ele a tornar-se o que for. A importância de ser irrevogável liga-se ao “o que ele foi”, e o “o que ele foi” é precisamente aquilo que não é irrevogável. Há uma finalidade que acompanha o desaparecimento de cada evento. A toda descrição desse evento essa finalidade é acrescentada, mas toda a importância dessa finalidade pertence ao mesmo mundo da experiência ao qual essa descrição pertence.

Ora, contraposta a essa incidência evidente de finalidade em um presente está a suposição habitual de que o passado que nos determina está lá. A verdade é que o passado está lá, em sua certeza ou probabilidade, no mesmo sentido em que o enquadramento de nossos problemas está lá. Parto da suposição de que a cognição, e o pensamento como parte do processo cognitivo, é reconstrutiva, porque a reconstrução é essencial para a conduta de um ser inteligente no universo. Isso é apenas parte da proposição mais geral de que mudanças estão ocorrendo no universo e de que, como consequência dessas mudanças, o universo está se tornando um universo diferente. A inteligência é apenas um aspecto dessa mudança. Trata-se de uma mudança que é parte de um processo vivo contínuo que tende a manter-se. O que é peculiar à inteligência é que ela constitui uma mudança que envolve uma reorganização mútua, um ajuste no organismo e uma reconstituição do ambiente; pois, em seus termos mais elementares, qualquer mudança no organismo acarreta uma diferença de sensibilidade e de resposta, e uma diferença correspondente no ambiente. É dentro desse processo que surge a chamada inteligência consciente, pois a consciência é tanto a diferença que surge no ambiente em razão de sua relação com o organismo em seu processo orgânico de ajustamento quanto a diferença no organismo em razão da mudança que ocorreu no ambiente. Referimo-nos à primeira como significado, e à segunda como ideação. O reflexo do organismo no ambiente e o reflexo do ambiente no organismo são fases essenciais na manutenção do processo vital que constitui a inteligência consciente.

Considerarei o significado da consciência em uma conferência posterior. No momento, meu interesse é apenas localizar aquela atividade à qual a cognição pertence e da qual o pensamento é uma expressão. Estou distinguindo, em particular, aquela existência do mundo para o organismo individual e social que corresponde ao uso mais geral do termo consciência daquela situação que corresponde ao termo “consciência de”. É esta última que, a meu ver, conota cognição. A distinção entre ambas coincide com aquela que sugeri entre o problema e o seu contexto.

O contexto dentro do qual ocorre o ajustamento é essencial para esse ajustamento e se insere naquilo que pertence ao “campo da consciência”, tal como esse termo é geralmente utilizado — especialmente quando reconhecemos as implicações daquilo que está mais definidamente no campo da consciência. O termo “campo da percepção” às vezes é usado no mesmo sentido, mas é mais propenso a carregar consigo o valor de “percepção de” do que o termo “consciência”. Em outras palavras, no conhecimento há sempre a pressuposição de um mundo que está aí e que fornece a base para o processo inferencial e ideacional da cognição. Isso, naturalmente, restringe a cognição ou a “consciência de” àquilo que contém em si uma dimensão inferencial.

Ora, o mundo que está aí em sua relação com o organismo, e que estabelece as condições para o ajustamento do organismo e a consequente mudança nesse mundo e desse mundo, inclui o seu passado. Abordamos toda questão de caráter histórico com um certo aparato, que pode ser cuidadosamente definido, e esse material mais tecnicamente definido — documentos, testemunhos orais e vestígios históricos — sustenta um dado passado que se estende retroativamente a partir das memórias de ontem e de hoje, e que não colocamos em dúvida. Utilizamos esse aparato para responder hipoteticamente às questões históricas que nos pressionam e para testar nossas hipóteses quando estas foram elaboradas.

Compreende-se, naturalmente, que qualquer parte desse aparato e do passado no qual ele está inserido pode ela própria tornar-se objeto de dúvida, mas mesmo o ceticismo mais radical, em sua própria formulação, não consegue escapar da memória das palavras e ideias que formulam a doutrina cética. Algum passado dado desse tipo está implicado nas questões referentes ao passado. E esse passado dado amplia o presente especioso. É verdade que o acordo último entre os significados de dois documentos pode residir na experiência de um presente especioso, mas apenas sob a suposição da comparação que anteriormente fizemos entre os documentos. Essa comparação se estende para trás de nós e permanece inquestionada até que alguém aponte nela um erro e assim a coloque em questão, mas então apenas com base no passado dele próprio e de outros.

Tomemos a engenhosa sugestão — creio que do pai de Gosse — de que Deus criou o mundo com seus fósseis e outras evidências de um passado remoto para pôr à prova a fé dos homens; e atualizemos a sugestão para meia hora atrás. Suponhamos que o mundo tenha vindo à existência, com sua estrutura presente exata, incluindo os chamados conteúdos de nossas mentes, há trinta minutos, e que tivéssemos alguma evidência ulterior, análoga às concepções fundamentalistas do Sr. Gosse, de que isso tivesse ocorrido. Poderíamos examinar a hipótese apenas à luz de algum passado que estivesse aí, por mais reduzido que ele tivesse se tornado. E esse passado se estende indefinidamente, pois nada o interrompe, uma vez que qualquer momento dele, sendo representado, possui o seu próprio passado, e assim sucessivamente.

O que queremos dizer, então, com a afirmação de que existiu algum passado real com todos os seus eventos, independentemente de qualquer presente, cujos conteúdos estamos lenta e imperfeitamente decifrando? Retornamos, naturalmente, às próprias correções que fazemos em nossa pesquisa histórica e ao grau mais elevado de evidência daquilo que foi descoberto em comparação com o que podia ser oferecido pela descrição descartada. Graus mais altos de probabilidade e evidências adicionais implicam que há ou houve alguma realidade ali que estamos trazendo à luz.

Há, portanto, uma referência palpável ao passado inquestionado por meio de cuja evidência investigamos e solucionamos os problemas que surgem. E o próprio fato a que me referi — o de que qualquer descrição aceita do passado, embora não esteja agora em questão, pode concebivelmente vir a ser posta em dúvida — parece implicar algum passado inquestionável que serviria de pano de fundo para a solução de todos os problemas concebíveis. Admitamos isso provisoriamente e façamos a pergunta ulterior: esse passado independente de qualquer presente entra de fato em nossas investigações — quero dizer, como uma pressuposição que desempenha algum papel em nosso pensamento? Se retirássemos essa pressuposição, nosso aparato e sua operação na pesquisa histórica seriam afetados de algum modo?

Certamente não, se nos ocuparmos apenas dos problemas com os quais os historiadores da história social ou científica se ocupam. Aqui a referência é sempre e exclusivamente ao passado dado do qual surgiu um problema; e os contornos do problema e os testes aos quais as hipóteses apresentadas são submetidas encontram-se nesse passado dado. Como vimos, esse passado dado pode ele próprio, em uma data posterior, ser afetado pela dúvida e trazido à discussão. E, no entanto, a possível dubiedade do passado dado não afeta de maneira alguma a empreitada. Esta é outra maneira de dizer que a dubiedade de todos os passados possíveis jamais entra no pensamento do historiador.

A única aproximação a tal entrada é a exigência de que todos os passados anteriores sejam explicados e incorporados à formulação mais recente. E cada passado anterior, na medida em que é reconstruído, é nessa mesma medida mostrado como incorreto. Nas implicações de nosso método parecemos aproximar-nos de uma formulação-limite, ainda que no infinito, que preencheria todas as lacunas e corrigiria todos os erros. Mas, se estamos fazendo correções, deve aparentemente existir alguma descrição que seja correta; e mesmo se contemplarmos um futuro indefinido de pesquisa científica empenhada nessa tarefa, jamais escapamos dessa implicação.

Há outra maneira de dizer isso: nosso trabalho de pesquisa é um trabalho de descoberta, e só podemos descobrir aquilo que está lá, quer o descubramos ou não. Penso, contudo, que esta última afirmação está errada, se se supõe que implica haver ou ter havido um passado independente de todos os presentes, pois pode haver — e sem dúvida há — em qualquer presente com seu próprio passado uma vasta quantidade de coisas que não descobrimos, e, ainda assim, aquilo que descobrimos ou deixamos de descobrir assumirá um significado diferente e terá uma estrutura diferente como evento quando visto de algum ponto de vista posterior.

Há erro semelhante na concepção da correção do erro passado e na sugestão de que ela implica o absolutamente correto, ainda que jamais o alcance? Refiro-me à correção “em si” de uma descrição de eventos, implícita em uma correção feita por um historiador posterior. Penso que a correção absoluta que se encontra no pensamento do historiador seria a apresentação completa do passado dado, se todas as suas implicações fossem desenvolvidas. Se pudéssemos conhecer tudo o que está implicado em nossas memórias, documentos e monumentos, e fôssemos capazes de controlar todo esse conhecimento, o historiador suporia possuir aquilo que é absolutamente correto.

Mas um historiador do tempo de Aristóteles, ampliando dessa maneira seu passado conhecido, teria alcançado um passado correto que estaria em total desacordo com o mundo conhecido da ciência moderna; e há apenas diferenças de grau entre tal comparação e aquelas que as mudanças devidas à pesquisa vêm produzindo em nossos passados ano após ano. Se estamos nos referindo a qualquer outra correção “em si”, ela deve ser ou a de uma realidade que, por definição, jamais poderia entrar em nossa experiência, ou a de uma meta no infinito na qual cessa o tipo de experiência em que nos encontramos.

É, naturalmente, possível supor que a experiência dentro da qual nos encontramos esteja incluída em algum mundo ou experiência que a transcenda. Meu único ponto é que tal suposição não desempenha papel algum em nossos juízos sobre a correção do passado. Podemos ter outras razões, teológicas ou metafísicas, para supor um passado real que pudesse ser dado em uma apresentação independente de qualquer presente, mas essa suposição não entra nos postulados nem na técnica de qualquer tipo de pesquisa histórica.

Embora a concepção de um passado irrevogável “em si” seja talvez o pano de fundo comum do pensamento, é interessante retornar à afirmação que fiz anteriormente de que o cientista pesquisador aguarda não apenas com equanimidade, mas também com vivo interesse, as mudanças fundamentais que pesquisas posteriores trarão às determinações mais exatas que hoje podemos fazer. A imagem que isso oferece é a de presentes deslizando uns nos outros, cada qual com um passado que lhe é referível, cada passado incorporando em si aqueles que o precederam e, em certa medida, reconstruindo-os a partir de seu próprio ponto de vista.

No momento em que tomamos esses presentes anteriores como existências separadas da apresentação deles como passados, eles deixam de ter significado para nós e perdem qualquer valor que possam ter para interpretar nosso próprio presente e determinar nossos futuros. Eles podem ser localizados na geometria do espaço-tempo de Minkowski, mas, mesmo sob essa suposição, só podem alcançar-nos por meio de nossos próprios referenciais ou perspectivas; e o mesmo seria verdadeiro sob as suposições de qualquer outra metafísica que localizasse a realidade do passado em passados independentes de qualquer presente.

Provavelmente se diria que a irrevogabilidade do passado está localizada em tal ordem metafísica, e é esse o ponto que desejo discutir. O historiador não duvida de que algo aconteceu. Sua dúvida é quanto ao que aconteceu. Ele também procede com a suposição de que, se pudesse dispor de todos os fatos ou dados, poderia determinar o que foi que aconteceu. Isto é, sua ideia de irrevogabilidade liga-se, como já afirmei, ao “o quê” que aconteceu, assim como ao desaparecimento do evento.

Mas, se há emergência, o reflexo disso no passado ocorre imediatamente. Há um novo passado, pois, a partir de cada nova ascensão, a paisagem que se estende atrás de nós torna-se uma paisagem diferente. A analogia é falha porque as alturas estão ali, e os aspectos das paisagens que elas revelam também estão ali e poderiam ser reconstruídos a partir do presente do viajante, se ele tivesse diante de si todas as implicações de seu presente; ao passo que o emergente não está ali de antemão e, por definição, não poderia ser incluído nem mesmo na apresentação mais completa do presente. A realidade metafísica sugerida pela expressão de Eddington de que nossa experiência é uma aventura da mente na geometria ordenada do espaço-tempo corresponderia, contudo, a uma paisagem preexistente.

Há, naturalmente, a doutrina alternativa de Whitehead, segundo a qual as perspectivas existem na natureza como sistemas temporais que se intersectam, produzindo assim não apenas diferentes presentes, mas também diferentes passados que lhes correspondem. Não consigo ver, entretanto, como Whitehead, com a geometria fixa do espaço-tempo que ele aceita, pode escapar de uma ordem fixa de eventos, ainda que o “o quê” desses eventos dependa da ingressão de objetos eternos surgidos por meio da ação de Deus, dando assim origem à emergência.

O ponto em questão é saber se a necessidade com a qual o cientista lida é uma necessidade que determina o presente a partir de um passado independente desse ou de qualquer presente. Um espaço-tempo ordenado envolve tal necessidade metafísica. Desse ponto de vista, os diferentes passados da experiência são reinterpretações subjetivas, e o físico não está interessado em torná-los parte do esquema total dos eventos. A filosofia de Whitehead é uma tentativa valente de harmonizar esse tipo de necessidade geométrica com a emergência e com as diferenças entre perspectivas variadas. Não acredito que isso possa ser realizado, mas estou mais interessado na resposta à questão de saber se a necessidade envolvida nas relações entre presente e passado deriva de tal necessidade metafísica, isto é, de uma necessidade independente de qualquer presente.

Retorno aqui à minha proposição original de que uma realidade que transcende o presente deve manifestar-se no presente. Essa alternativa é aquela encontrada na atitude do cientista pesquisador, quer ele a reconheça em sua doutrina ou não. Ela consiste em que há e sempre haverá uma relação necessária entre o passado e o presente, mas que o presente no qual o emergente aparece aceita aquilo que é novo como parte essencial do universo e, desse ponto de vista, reescreve seu passado. O emergente então deixa de ser um emergente e passa a decorrer do passado que substituiu o passado anterior.

Falamos da vida e da consciência como emergentes, mas nossas naturezas racionalistas jamais ficarão satisfeitas enquanto não tivermos concebido um universo no qual elas surjam inevitavelmente daquilo que as precedeu. Não conseguimos fazer do emergente uma parte da relação pensante entre passado e presente e, mesmo quando aparentemente o aceitamos, levamos a bioquímica e a psicologia behaviorista tão longe quanto podemos no esforço de reduzir a emergência a um ponto evanescente. Mas, mesmo concedendo ao cientista pesquisador uma vitória completa — um universo inteiramente racionalizado, dentro do qual haja uma ordem determinada — ele ainda aguardará o aparecimento de novos problemas que emergirão em novos presentes para serem novamente racionalizados com outro passado, o qual incorporará harmoniosamente o antigo passado em si mesmo.

Reconhecidamente, a racionalidade completa do universo baseia-se em uma indução, e aquilo em que essa indução se fundamenta é um ponto controverso na doutrina filosófica. Admitida qualquer razão justificável para acreditar nela, todas as nossas correlações a fortalecem enormemente. Mas existe tal razão? Nesse ponto crucial há a maior incerteza. Evidentemente, o procedimento do cientista ignora isso. Para ele, não se trata de uma questão controversa. Não é, de modo algum, uma questão em seu procedimento. Ele está simplesmente ocupado em encontrar uma ordem racional e em estendê-la retrospectivamente, para que possa prever o futuro.

É aqui que seu mundo dado funciona. Se ele consegue ajustar sua hipótese a esse mundo e se ela antecipa aquilo que ocorre, então ela se torna a descrição do que aconteceu. Se fracassa, outra hipótese a substitui e outro passado substitui aquele que a primeira hipótese implicava.

Em suma, o passado (ou a estrutura significativa do passado) é tão hipotético quanto o futuro. O relato de Jeans sobre o que vem ocorrendo no interior de Aldebarã ou de Sírius Menor durante os últimos milhões de anos é muito mais hipotético do que o catálogo do astrônomo acerca dos eclipses que ocorrerão no próximo século e dos lugares onde serão visíveis. E a suposição metafísica de que houve um passado definido de eventos nada acrescenta nem subtrai da segurança de qualquer hipótese que ilumine nosso presente.

Ela oferece, de fato, a forma vazia dentro da qual estendemos qualquer hipótese e desenvolvemos suas implicações, mas não possui sequer a fixidez que Kant encontrou em suas formas da intuição. Os paradoxos da relatividade, aquilo que Whitehead denomina os diferentes significados do tempo em diferentes sistemas temporais, revelam a natureza hipotética dos esquemas regulados do passado dentro dos quais devemos encaixar os eventos que nossas teorias físicas desenrolam atrás de nós.

Podemos recorrer ao espaço-tempo absoluto com suas coincidências de eventos e os intervalos entre eles, mas mesmo aqui permanece discutível se essa interpretação das transformações de um referencial para outro é definitiva, se alcançamos a estrutura última do universo físico ou apenas um aparato matemático mais poderoso para atingir maior exatidão em medições e cálculos, cuja interpretação variará com a história da física matemática. O espaço-tempo de Minkowski é tão hipotético quanto a constituição ondulatória da matéria proposta por de Broglie.

Mas a irrevogabilidade do evento passado permanece mesmo que estejamos incertos quanto ao que foi o evento passado. Nem mesmo o caráter reversível dos processos físicos que as equações matemáticas parecem revelar abala esse caráter da experiência temporal. Pode-se conceber que, visto de uma enorme distância, a ordem de alguns daqueles que chamamos de mesmos eventos possa diferir em diferentes perspectivas, mas, dentro de qualquer perspectiva, aquilo que passou não pode recorrer. Nessa perspectiva, o que aconteceu aconteceu, e qualquer teoria apresentada deve abrir espaço para essa ordem dentro dessa perspectiva.

Há uma direção temporal inalterável naquilo que está ocorrendo e, se pudermos vincular outros processos a essa passagem, poderemos atribuir-lhes tanta certeza quanto o grau dessa vinculação justificar. Dado um certo valor para a velocidade de um corpo em movimento em determinado referencial, podemos determinar onde o corpo necessariamente estará. Nosso problema consiste em determinar exatamente o que precedeu aquilo que está ocorrendo, para que a direção do progresso temporal possa determinar o que o mundo virá a ser.

Há um certo processo temporal em curso na experiência. Aquilo que ocorreu desemboca naquilo que está ocorrendo, e, nessa passagem, o que ocorreu determina espaço-temporalmente aquilo que está passando para o futuro. Assim, na medida em que possamos determinar as constantes do movimento, podemos seguir essa determinação, e nossa análise procura resolver o acontecimento, tanto quanto possível, em movimento. Em geral, uma vez que a própria passagem é dada na experiência, a direção das mudanças em curso condiciona parcialmente aquilo que ocorrerá.

O evento que ocorreu e a direção do processo em andamento formam a base para a determinação racional do futuro. O passado irrevogável e a mudança em curso são os dois fatores aos quais vinculamos todas as nossas especulações a respeito do futuro. A probabilidade encontra-se no caráter do processo que está ocorrendo na experiência. Contudo, por mais avidamente que busquemos estruturas espaço-temporais que tragam consigo resultados dedutíveis, ainda assim reconhecemos relações entre as coisas em seus processos que não podem ser resolvidas em elementos quantitativos; e, embora tanto quanto possível as correlacionemos com caracteres mensuráveis, reconhecemo-las, em todo caso, como condições determinantes daquilo que está ocorrendo.

Buscamos seus antecedentes no passado e julgamos o futuro pela relação desse passado com aquilo que está ocorrendo. Todas essas relações dentro do processo em curso são relações determinantes daquilo que será, embora a forma específica dessa determinação constitua o problema científico de qualquer situação particular. A efetividade da determinação dentro da passagem da experiência direta é aquilo que Hume, por meio de suas pressuposições e de seu tipo de análise, eliminou da experiência, e é também aquilo que confere à dedução kantiana das categorias a validade que ela possui.

É tarefa da filosofia contemporânea colocar em congruência, de um lado, essa universalidade da determinação, que constitui o texto da ciência moderna, e, de outro, a emergência do novo, que pertence não apenas à experiência dos organismos sociais humanos, mas também é encontrada em uma natureza que a ciência e a filosofia que a seguiu separaram da natureza humana. A dificuldade que imediatamente se apresenta é que o emergente mal apareceu e já começamos a racionalizá-lo; isto é, procuramos mostrar que ele, ou ao menos as condições que determinam sua aparição, podem ser encontradas no passado que estava por trás dele.

Assim, os passados anteriores dos quais ele emergiu como algo que não o envolvia são incorporados em um passado mais abrangente que efetivamente conduz até ele. Ora, o que isso significa é que tudo o que acontece, inclusive o emergente, acontece sob condições determinantes — especialmente, do ponto de vista das ciências exatas, sob condições espaço-temporais que conduzem a conclusões dedutíveis acerca do que ocorrerá dentro de certos limites, mas também sob condições determinantes de natureza qualitativa, cujas garantias residem apenas na probabilidade —, embora essas condições jamais determinem completamente o “o que é” daquilo que ocorrerá.

A água, distinta das combinações de oxigênio e hidrogênio, pode surgir. A vida e a chamada consciência podem surgir. E os quanta podem surgir, embora se possa argumentar que tal surgimento se encontra em um “nível” diferente daquele da vida e da consciência. Quando esses emergentes apareceram, tornaram-se parte das condições determinantes que ocorrem em presentes reais, e estamos particularmente interessados em apresentar o passado que, na situação diante de nós, condicionou o aparecimento do emergente, especialmente de tal maneira que possamos conduzir a novas aparições desse objeto.

Orientamo-nos não com referência ao passado que foi um presente dentro do qual o emergente apareceu, mas em direção a uma reformulação do passado enquanto condicionante do futuro, para que possamos controlar seu reaparecimento. Quando a vida apareceu, pudemos reproduzir vida; e, dada a consciência, podemos controlar sua aparição e suas manifestações. Mesmo a descrição do passado dentro do qual o emergente apareceu é inevitavelmente feita do ponto de vista de um mundo dentro do qual o próprio emergente é tanto um fator condicionante quanto condicionado.

Não poderíamos trazer de volta esses presentes passados simplesmente tal como ocorreram — se é que estamos justificados em usar essa expressão — exceto como presentes. Uma apresentação exaustiva deles equivaleria apenas a revivê-los. Isto é, um presente deslizando para outro não conota aquilo que se entende por passado. Mas mesmo essa afirmação implica que houve tais presentes deslizando uns nos outros e, quer os consideremos desse ponto de vista ou não, parecemos implicar sua realidade enquanto tais, como a estrutura dentro da qual deve situar-se o tipo de passado que nos interessa, se ele é um aspecto do passado real.

Deixando de lado as ambiguidades que tal afirmação contém, o que quero enfatizar é que a irrevogabilidade do passado não deriva dessa concepção do passado. Pois, em nosso uso do termo irrevogabilidade, estamos apontando para aquilo que deve ter sido, e é uma estrutura e um processo no presente que constituem a fonte dessa necessidade. Certamente não podemos retornar a tal passado e testar nossas conjecturas por meio da inspeção efetiva de seus eventos em seu acontecer. Testamos nossas conjecturas acerca do passado pelas direções condicionantes do presente e pelos acontecimentos posteriores no futuro, os quais devem ser de certo tipo se o passado que concebemos realmente existiu.

A força da irrevogabilidade encontra-se, então, na extensão da necessidade com que aquilo que acaba de acontecer condiciona aquilo que está emergindo no futuro. O que ultrapassa isso pertence a um quadro metafísico que não tem interesse nos passados que surgem atrás de nós.

Na análise que empreendi, chegamos então, primeiro, à passagem dentro da qual aquilo que está ocorrendo condiciona aquilo que está surgindo. Tudo o que ocorre acontece sob condições necessárias. Em segundo lugar, essas condições, embora necessárias, não determinam em sua plena realidade aquilo que emerge. Estamos obtendo interessantes reflexos dessa situação a partir da crítica que o cientista faz de seus próprios métodos de alcançar a determinação exata da posição e da velocidade e das implicações dos quanta.

O que aparece nessa crítica é que, embora o cientista jamais abandone o condicionamento daquilo que ocorre por aquilo que aconteceu anteriormente, expresso em termos de probabilidade, ele se vê perfeitamente capaz de pensar como emergentes até mesmo aqueles eventos que estão sujeitos à determinação mais exata. Não estou tentando prever qual interpretação futura será dada às especulações de de Broglie, Schröder e Planck. Estou apenas indicando que, mesmo no campo da física matemática, o pensamento rigoroso não implica necessariamente que o condicionamento do presente pelo passado traga consigo a determinação completa do presente pelo passado.

Terceiro, na passagem, o condicionamento daquilo que está ocorrendo por aquilo que ocorreu, do presente pelo passado, está presente. O passado, nesse sentido, está no presente; e, naquilo que chamamos de experiência consciente, sua presença manifesta-se na memória e no aparato histórico que amplia a memória, como aquela parte da natureza condicionante da passagem que se reflete na experiência do indivíduo orgânico.

Se todos os objetos em um presente são condicionados pelos mesmos caracteres na passagem, seus passados são implicitamente os mesmos; mas se, para seguir uma sugestão tomada das especulações acerca dos quanta, um elétron dentre dois mil libera energia quando não há condições determinantes para a seleção desse elétron em vez dos outros mil novecentos e noventa e nove, é evidente que o passado tal como se manifesta na conduta desse elétron será de um tipo que nem sequer implicitamente será o mesmo que o dos outros naquele grupo, embora seu salto seja condicionado por tudo o que ocorreu antes.

Se, entre dois mil indivíduos sob condições sociais desagregadoras, um comete suicídio quando, tanto quanto se pode ver, um era tão propenso quanto outro a sucumbir, seu passado possui uma natureza particularmente pungente que está ausente do passado dos demais, embora seu suicídio seja uma expressão do passado. O passado está ali condicionando o presente e sua passagem para o futuro, mas, na organização de tendências incorporadas em um indivíduo, pode haver um emergente que confere a essas tendências uma estrutura que pertence apenas à situação desse indivíduo.

As tendências provenientes da passagem passada e do condicionamento inerente à passagem tornam-se influências diferentes quando assumem essa estrutura organizada de tendências. Isso seria tão verdadeiro para o equilíbrio entre processos de desagregação e aglomeração em uma estrela quanto para o ajustamento recíproco entre uma forma viva e seu ambiente. A relação estrutural em seu equilíbrio ou ajustamento recíproco organiza aqueles processos em passagem que se refletem retrospectivamente e nos conduzem a uma descrição da história da estrela.

Como Dewey sustentou, os eventos aparecem como histórias que possuem um desfecho, e, quando um processo histórico está ocorrendo, a organização das fases condicionantes do processo é o elemento novo que não é previsível a partir das fases separadas em si mesmas, e que imediatamente estabelece o cenário para um passado que conduz a esse resultado. A organização de qualquer coisa individual traz consigo a relação dessa coisa com processos que ocorreram antes que essa organização se estabelecesse. Nesse sentido, o passado dessa coisa é “dado” no presente em passagem da própria coisa, e nossas histórias das coisas são elaborações daquilo que está implícito nessa situação. Esse “dado” na passagem está ali e constitui o ponto de partida para uma estrutura cognitiva de um passado.

Quarto, esse caráter emergente, sendo responsável por uma relação entre processos em passagem, estabelece um passado dado que é, por assim dizer, uma perspectiva do objeto dentro da qual esse caráter aparece. Podemos conceber um objeto como, digamos, algum átomo de hidrogênio que permaneceu o que é através de períodos incomensuráveis em completo ajustamento ao seu entorno, que permaneceu real no deslizar de um presente para outro, ou melhor, em uma passagem contínua, ininterrupta e sem acontecimentos. Para tal objeto haveria existência ininterrupta, mas não passado, a menos que retornássemos à ocasião em que emergiu como átomo de hidrogênio.

Isso equivale a dizer que, onde o ser é existência mas não devir, não há passado, e que a determinação envolvida na passagem é uma condição do passado, mas não sua realização. A relação de passagem envolve naturezas distinguíveis nos eventos antes que passado, presente e futuro possam surgir, assim como a extensão é uma relação que envolve coisas físicas distinguíveis antes que um espaço estruturável possa surgir. O que torna um evento distinguível de outro é um devir que afeta a natureza interna do evento.

Parece-me que a extrema matematização da ciência recente, na qual a realidade do movimento é reduzida a equações em que a mudança desaparece numa identidade, e na qual espaço e tempo desaparecem em um contínuo quadridimensional de eventos indistinguíveis que não é nem espaço nem tempo, é um reflexo do tratamento do tempo como passagem sem devir.

O que é então um presente? A definição de Whitehead nos remeteria à extensão temporal da passagem dos eventos que compõem uma coisa, uma extensão suficientemente ampla para tornar possível que a coisa seja aquilo que é. A de um átomo de ferro não precisaria ser mais longa do que o período dentro do qual a revolução de cada um de seus elétrons em torno do núcleo se completa. O universo durante esse período constituiria uma duração do ponto de vista do átomo. O presente especioso de um indivíduo humano seria presumivelmente um período dentro do qual ele pudesse ser ele mesmo.

Do ponto de vista que sugeri, ele envolveria um devir. Deve haver ao menos algo que aconteça à coisa e nela, algo que afete sua natureza, para que um momento possa ser distinguido de outro, para que possa haver tempo. Mas há, em tal afirmação, um conflito entre princípios de definição. De um ponto de vista, estamos buscando aquilo que é essencial a um presente; de outro, estamos buscando o limite inferior em um processo de divisão.

Referir-me-ei primeiro a este último, pois ele envolve a questão da relação do tempo com a passagem — com aquilo dentro do qual o tempo parece situar-se e em termos de cuja extensão colocamos o tempo e comparamos tempos. A milésima parte de um segundo possui um significado real, e podemos conceber o universo afundando em um mar de entropia dentro do qual todo devir tenha cessado.

Estamos lidando aqui com uma abstração da extensão da mera passagem em relação ao tempo dentro do qual os eventos acontecem porque se tornam. No tratamento de Whitehead, isso é chamado de “abstração extensiva” e conduz a uma partícula-evento assim como a análise matemática conduz ao diferencial. E uma partícula-evento deveria ter a mesma relação com algo que se torna que o diferencial de uma mudança, tal como uma velocidade acelerada, tem com o processo inteiro.

Nessa medida, a abstração extensiva é um método de análise e integração e não requer outra justificação além de seu sucesso. Mas Whitehead a utiliza como método de abstração metafísica e encontra, no mero acontecer, o evento, a substância daquilo que se torna. Ele transfere o conteúdo daquilo que se torna para um mundo de “objetos eternos” que ingressam nos eventos sob o controle de um princípio situado fora de sua ocorrência.

Assim, embora a existência daquilo que ocorre seja encontrada no presente, o “o que é” daquilo que ocorre não surge do acontecer; ele acontece ao evento por meio do processo metafísico da ingressão. Isso me parece um uso impróprio da abstração, pois conduz a uma separação metafísica daquilo que foi abstraído em relação à realidade concreta da qual a abstração foi feita, em vez de deixá-lo como um instrumento no controle intelectual dessa realidade.

Bergson refere-se, penso eu, ao mesmo uso impróprio da abstração, em outro contexto, como a espacialização do tempo, contrastando a natureza exclusiva de tais momentos temporais com a interpenetração dos conteúdos da “duração” real.

Se, ao contrário, reconhecermos aquilo que se torna como o evento que, em sua relação com outros eventos, dá estrutura ao tempo, então a abstração da passagem em relação àquilo que está ocorrendo é puramente metodológica. Levamos nossa análise tão longe quanto o controle do objeto exige, mas sempre reconhecendo que aquilo que é abstraído possui sua realidade na integração daquilo que está ocorrendo.

Que esse é o resultado de definir o evento como aquilo que se torna é evidente, penso eu, na aplicação e no teste de nossas hipóteses mais abstrusas. Para terem valor e serem acreditadas, elas devem apresentar novos eventos surgindo de antigos, como a expansão ou contração do universo nas especulações de Einstein e Weyl acerca das aparentes recessões em velocidades enormes de nebulosas distantes, ou o arrancamento de elétrons dos núcleos atômicos no centro dos corpos estelares nas especulações de Jeans sobre a transformação da matéria em radiação.

E esses acontecimentos devem ajustar-se de tal modo às nossas descobertas experimentais que possam encontrar sua realidade na concreção daquilo que está ocorrendo em um presente efetivo. Os passados que eles estendem atrás de nós são tão hipotéticos quanto o futuro que nos ajudam a prever. Tornam-se válidos na interpretação da natureza na medida em que apresentam uma história de devires na natureza conduzindo àquilo que está se tornando hoje, na medida em que revelam aquilo que se ajusta ao padrão que emerge do estrondoso tear do tempo, e não na medida em que erigem entidades metafísicas que são o tênue reverso de um aparato matemático.

Se, na expressão de Bergson, a “duração real” torna-se tempo por meio do aparecimento de eventos únicos, distinguíveis entre si por sua natureza qualitativa — algo que é emergente em cada evento —, então a mera passagem é um modo de ordenar esses eventos. Mas o que é essencial a essa ordenação é que, em cada intervalo isolado, deve ser possível que algo se torne, que algo único surja. Estamos sujeitos a uma ilusão psicológica se supomos que o ritmo da contagem e a ordem que surge da contagem correspondem a uma estrutura da própria passagem, separada dos processos que entram em ordem por meio da emergência dos eventos.

Jamais alcançamos o próprio intervalo entre eventos, exceto em correlações entre eles e outras situações dentro das quais encontramos congruência e substituição, algo que nunca pode ocorrer na passagem enquanto tal. Alcançamos aquilo que pode ser chamado de igualdade funcional de intervalos representados dentro de processos que envolvem equilíbrio e ritmo, mas, com base nisso, estabelecer o tempo como uma quantidade dotada de uma natureza essencial que permite sua divisão em porções iguais de si mesmo constitui um uso injustificado da abstração.

Podemos reconstruir hipoteticamente os processos passados implicados naquilo que está ocorrendo como base para a construção cognitiva do futuro que está surgindo. Aquilo de que os dados experimentais nos asseguram é que compreendemos suficientemente o que está ocorrendo para prever o que terá lugar, não que tenhamos alcançado uma imagem correta do passado independente de qualquer presente, pois esperamos que essa imagem se altere à medida que novos eventos emergem.

Nessa atitude, estamos relacionando em nossa antecipação presentes que deslizam uns nos outros, e seus passados pertencem a eles. Eles precisam ser reconstruídos à medida que são incorporados em um novo presente e, como tais, pertencem a esse presente, e não mais ao presente do qual passamos para o presente atual.

Um presente, então, em contraste com a abstração da mera passagem, não é um pedaço recortado arbitrariamente da dimensão temporal de uma realidade uniformemente fluente. Sua principal referência é ao evento emergente, isto é, à ocorrência de algo que é mais do que os processos que conduziram até ele e que, por sua mudança, continuidade ou desaparecimento, acrescenta às passagens posteriores um conteúdo que elas de outro modo não possuiriam. A marca da passagem sem eventos emergentes é sua formulação em equações nas quais os chamados instantes desaparecem numa identidade, como apontou Meyerson.

Dado um evento emergente, suas relações com processos antecedentes tornam-se condições ou causas. Tal situação é um presente. Ela delimita e, em certo sentido, seleciona aquilo que tornou possível sua peculiaridade. Cria, com sua singularidade, um passado e um futuro. Tão logo a consideramos, ela se torna uma história e uma profecia. Seu próprio diâmetro temporal varia conforme a extensão do evento.

Pode haver uma história do universo físico como aparecimento de uma galáxia de galáxias. Há uma história de todo objeto que é único. Mas não haveria tal história do universo físico até que a galáxia aparecesse, e ela continuaria apenas enquanto a galáxia se mantivesse contra forças disruptivas e coesivas. Se perguntarmos qual pode ser a extensão temporal da singularidade responsável por um presente, a resposta deve ser, nos termos de Whitehead, que ela é um período suficientemente longo para permitir que o objeto seja aquilo que é.

Mas a questão é ambígua, pois o termo “extensão temporal” implica uma medida do tempo. O passado, tal como aparece com o presente e o futuro, é a relação do evento emergente com a situação da qual surgiu, e é o evento que define essa situação. A continuidade ou desaparecimento daquilo que surge é o presente passando para o futuro. Passado, presente e futuro pertencem a uma passagem que adquire estrutura temporal por meio do evento, e podem ser considerados longos ou curtos conforme sejam comparados com outras passagens desse tipo.

Mas, enquanto existentes na natureza — na medida em que tal afirmação tenha significado —, o passado e o futuro são os limites daquilo que denominamos presente e são determinados pelas relações condicionantes do evento com sua situação.

Os passados e futuros aos quais nos referimos estendem-se para além dessas relações contíguas na passagem. Nós os prolongamos na memória e na história, na antecipação e na previsão. Eles são eminentemente o campo da ideação e encontram seu locus naquilo que se chama mente. Embora estejam no presente, referem-se àquilo que não está nesse presente, como é indicado por sua relação com passado e futuro. Referem-se para além de si mesmos, e dessa referência surge sua natureza representacional.

Eles pertencem evidentemente a organismos, isto é, a eventos emergentes cuja natureza envolve a tendência de manter-se. Em outras palavras, sua situação envolve ajustamento voltado para um passado e sensibilidade seletiva voltada para um futuro. Aquilo que pode ser chamado de matéria da qual surgem as ideias são as atitudes desses organismos: hábitos, quando olhamos para o passado, e ajustamentos iniciais dentro do ato às consequências de suas respostas, quando olhamos para o futuro. Até aqui, esses elementos pertencem ao que pode ser chamado de passado e futuro imediatos.

Essa relação do evento com sua situação, do organismo com seu ambiente, juntamente com sua dependência mútua, conduz-nos à relatividade e às perspectivas nas quais ela aparece na experiência. A natureza do ambiente corresponde aos hábitos e atitudes seletivas dos organismos, e as qualidades pertencentes aos objetos do ambiente só podem ser expressas em termos das sensibilidades desses organismos. O mesmo é verdadeiro para as ideias.

O organismo, por meio de seus hábitos e atitudes antecipatórias, encontra-se relacionado àquilo que se estende para além de seu presente imediato. Aqueles caracteres das coisas que, na atividade do organismo, se referem ao que está além do presente assumem o valor daquilo a que se referem. O campo da mente, então, é o ambiente mais amplo requerido pela atividade do organismo, mas que transcende o presente.

O que está presente no organismo, contudo, é sua própria atividade nascente, e aquilo nele mesmo e no ambiente que a sustenta; e está presente também seu movimento vindo do passado e indo além do presente. Pertence ao chamado organismo consciente completar esse ambiente temporal mais amplo pelo uso de caracteres encontrados no presente. O mecanismo pelo qual a mente social realiza isso discutirei mais tarde; o que desejo destacar agora é que o campo da mente é a extensão temporal do ambiente do organismo, e que uma ideia reside no organismo porque o organismo utiliza aquilo em si mesmo que se move para além de seu presente para ocupar o lugar daquilo em direção ao qual sua própria atividade tende.

Aquilo no organismo que fornece a ocasião para a mente é a atividade que alcança para além do presente dentro do qual o organismo existe.

Mas, em uma descrição como esta, estive implicitamente estabelecendo esse período mais amplo dentro do qual, digamos, um organismo inicia e completa sua história como estando ali aparentemente em independência de qualquer presente; e meu propósito é insistir na proposição oposta, a saber, que esses períodos mais amplos não podem ter realidade exceto na medida em que existam em presentes, e que todas as suas implicações e valores estão aí localizados.

Isso nos remete, primeiro, ao fato evidente de que todo o aparato do passado — imagens da memória, monumentos históricos, restos fósseis e semelhantes — está em algum presente; e, segundo, àquela porção do passado que está ali na passagem da experiência, conforme determinada pelo evento emergente. Remete-nos, terceiro, ao teste necessário da formulação do passado nos eventos que surgem na experiência. O passado de que falamos situa-se, com todos os seus caracteres, dentro desse presente.

Há, entretanto, a implicação assumida de que esse presente se refere a entidades que possuem uma realidade independente deste e de qualquer outro presente, cujos detalhes completos, embora evidentemente além de qualquer recuperação, são inevitavelmente pressupostos. Ora, há uma confusão entre tal suposição metafísica e o fato evidente de que somos incapazes de revelar tudo o que está implicado em qualquer presente.

Aqui estamos com Newton diante de um mar sem limites, recolhendo apenas os seixos de sua praia. Não há nada de transcendente nessa impotência de nossas mentes para esgotar qualquer situação. Todo avanço rumo a um conhecimento maior simplesmente amplia o horizonte da experiência, mas tudo permanece dentro da experiência concebível.

Uma mente maior do que a de Newton ou Einstein revelaria na experiência, no mundo que está aí, estruturas e processos que não conseguimos encontrar nem sequer esboçar. Ou tomemos a concepção de Bergson segundo a qual todas as nossas memórias, ou todas as ocorrências sob a forma de imagens, acorrem sobre nós e são contidas por um sistema nervoso central. Tudo isso é concebível em um presente cuja riqueza integral estivesse à disposição desse próprio presente.

Isso não significa que os éons revelados nessas estruturas e processos, ou as histórias que essas imagens conotam, desenrolar-se-iam em um presente temporalmente tão extenso quanto sua formulação implica. Significa, na medida em que tal concepção ou imaginação desenfreada possa ter sentido, que teríamos uma riqueza inconcebível oferecida à nossa análise na abordagem de qualquer problema surgido na experiência.

O passado na passagem é irrecuperável assim como irrevogável. Ele está produzindo toda a realidade que existe. O significado daquilo que é é iluminado e ampliado diante do emergente na experiência, como (a+b) elevado à vigésima quinta potência pelo teorema binomial, pela expansão da passagem que está ocorrendo.

Dizer que a Declaração de Independência foi assinada em 4 de julho de 1776 significa que, no sistema temporal que carregamos conosco e com a formulação de nossos hábitos políticos, essa data reaparece em nossas celebrações. Sendo aquilo que somos no mundo social e físico que habitamos, damos conta do que ocorre nesse cronograma temporal, mas, como tabelas de horários ferroviários, ele está sempre sujeito a mudanças sem aviso prévio. Cristo nasceu quatro anos antes de d.C.

Nossa referência é sempre à estrutura do presente, e nosso teste da formulação que fazemos é sempre o de realizar com sucesso nossos cálculos e observações em um futuro em ascensão. Se dizemos que algo aconteceu em tal data, quer possamos especificá-la ou não, devemos querer dizer que, se em imaginação nos colocássemos de volta na data suposta, teríamos tido tal experiência; mas não é disso que nos ocupamos quando elaboramos a história do passado. O que requer iluminação e direção é o significado daquilo que está ocorrendo na ação ou na apreciação, devido ao aparecimento constante do novo, de cujo ponto de vista nossa experiência exige uma reconstrução que inclua o passado.

A melhor abordagem desse significado encontra-se no mundo dentro do qual nossos problemas surgem. Suas coisas são coisas duradouras que são aquilo que são devido ao caráter condicionante da passagem. Seu passado está naquilo que elas são. Tal passado não é eventual. Quando elaboramos a história de uma árvore cuja madeira se encontra nas cadeiras em que nos sentamos, desde a diatomácea até o carvalho recentemente abatido, essa história gira em torno da constante reinterpretação de fatos que surgem continuamente; nem esses fatos novos devem ser encontrados simplesmente no impacto de experiências humanas mutáveis sobre um mundo que está aí.

Pois, em primeiro lugar, as experiências humanas fazem tanto parte desse mundo quanto quaisquer de suas outras características, e o mundo é um mundo diferente por causa dessas experiências. E, em segundo lugar, em qualquer história que construamos somos forçados a reconhecer a mudança na relação entre a passagem condicionante e o evento emergente, naquela parte do passado que pertence à passagem, mesmo quando essa passagem não é expandida na ideação.

O resultado do que disse é que a avaliação e o significado de todas as histórias residem na interpretação e no controle do presente; que, enquanto estruturas ideacionais, elas surgem sempre da mudança, que é parte tão essencial da realidade quanto o permanente, e dos problemas que a mudança acarreta; e que a exigência metafísica de um conjunto de eventos que esteja inalteravelmente presente em um passado irrevogável, ao qual essas histórias procuram aproximar-se continuamente, remete a motivos diversos daqueles em operação na pesquisa científica mais exata.

Notas do Capítulo.

Estas páginas foram encontradas entre os papéis do Sr. Mead após sua morte. Parecem ter sido escritas mais tarde do que o capítulo ao qual estão aqui anexadas, possivelmente como resultado de uma discussão crítica a seu respeito em uma reunião do Philosophy Club da Universidade de Chicago em janeiro de 1931.

As durações são um contínuo deslizar de presentes uns nos outros. O presente é uma passagem constituída por processos cujas fases anteriores determinam, em certos aspectos, suas fases posteriores. A realidade, então, está sempre em um presente. Quando o presente passou, ele já não é mais. Surge a questão de saber se o passado que emerge na memória e na projeção desta ainda mais para trás refere-se a eventos que existiram como tais presentes contínuos passando uns nos outros, ou àquela fase condicionante do presente em passagem que nos permite determinar a conduta com referência ao futuro que também está surgindo no presente. É esta última tese que sustento.

A implicação de minha posição é que o passado é uma construção tal que a referência encontrada nele não é a eventos que possuam uma realidade independente do presente, que é a sede da realidade, mas antes a uma interpretação do presente em sua passagem condicionante que permitirá à conduta inteligente prosseguir. É naturalmente evidente que os materiais a partir dos quais esse passado é construído encontram-se no presente. Refiro-me às imagens da memória e às evidências por meio das quais construímos o passado, e ao fato de que qualquer reinterpretação da imagem que formamos do passado será encontrada em um presente e será julgada pelos caracteres lógicos e probatórios que tais dados possuem em um presente.

Também é evidente que não há apelo possível a partir desses elementos em seu locus presente para um passado real que esteja desenrolado atrás de nós como um pergaminho e ao qual possamos recorrer para verificar nossas construções. Não estamos decifrando um manuscrito cujas passagens possam tornar-se inteligíveis em si mesmas e permanecer como apresentações seguras daquela porção do que ocorreu anteriormente, a serem suplementadas por construções finais posteriores de outras passagens.

Não estamos contemplando um passado último e imutável que possa estar estendido atrás de nós em sua totalidade, sem estar sujeito a novas mudanças. Nossas reconstruções do passado variam em sua extensão, mas jamais contemplam a finalidade de seus resultados. Estão sempre sujeitas a reformulações concebíveis, diante da descoberta de novas evidências, e essa reformulação pode ser completa. Mesmo as imagens de memória mais vívidas podem estar erradas.

Em suma, nossas certezas acerca do passado jamais são alcançadas por uma congruência entre o passado construído e um passado real independente dessa construção, embora carreguemos essa atitude no fundo de nossas mentes, porque de fato submetemos nossas reconstruções hipotéticas imediatas ao teste do passado aceito e as julgamos segundo sua concordância com o registro aceito; mas esse passado aceito situa-se em um presente e está ele próprio sujeito a possível reconstrução.

Ora, é possível aceitar tudo isso, admitindo plenamente que nenhum item do passado aceito é definitivo, e ainda assim sustentar que permanece uma referência, em nossa formulação do evento passado, a algo que aconteceu e que jamais poderemos ressuscitar no conteúdo da realidade, algo que pertenceu ao evento no presente dentro do qual ocorreu.

Isso equivale a dizer que existe atrás de nós um pergaminho de presentes transcorridos, ao qual nossas construções do passado se referem, embora sem a possibilidade de jamais alcançá-lo, e sem a expectativa de que nossas contínuas reconstruções se aproximem dele com precisão crescente. E isso me leva ao ponto em questão.

Tal pergaminho, se fosse alcançado, não seria a descrição que nossos passados requerem. Se pudéssemos trazer de volta o presente transcorrido na realidade que lhe pertenceu, ele não nos serviria. Ele seria aquele presente e careceria precisamente daquele caráter que exigimos do passado, isto é, daquela construção da natureza condicionante da passagem agora presente que nos permite interpretar aquilo que está surgindo no futuro pertencente a este presente.

Quando alguém recorda os dias de sua infância, não consegue entrar neles tal como então era, sem sua relação com aquilo em que se tornou; e, se pudesse — isto é, se pudesse reproduzir a experiência tal como então ocorreu —, não poderia utilizá-la, pois isso envolveria não estar no presente dentro do qual esse uso deve ocorrer. Uma sequência de presentes concebivelmente existentes enquanto presentes jamais constituiria um passado.

Se então existe tal referência, ela não é a uma entidade que pudesse ajustar-se a qualquer passado, e não posso acreditar que a referência, no passado tal como experimentado, seja a algo que não possuísse a função ou o valor que em nossa experiência pertencem a um passado. Não estamos nos referindo a um evento passado real que não fosse o evento passado que buscamos.

Outra maneira de dizer isso é que nossos passados são sempre mentais da mesma maneira que os futuros que se encontram diante de nós em nossa imaginação são mentais. Eles diferem, à parte suas posições sucessivas, em que as condições determinantes da interpretação e da conduta estão incorporadas no passado tal como ele é encontrado no presente, mas estão sujeitos ao mesmo teste de validade ao qual nossos futuros hipotéticos estão sujeitos. E a novidade de cada futuro exige um passado novo.

Isso, contudo, deixa de lado um importante caráter de qualquer passado, e este é que nenhum passado que possamos construir pode ser tão adequado quanto a situação exige. Há sempre uma referência a um passado que não pode ser alcançado, e ainda assim consonante com a função e o significado de um passado.

É sempre concebível que as implicações do presente fossem levadas mais longe do que de fato as levamos, e mais longe do que possivelmente podemos levá-las. Há sempre mais conhecimento que seria desejável para a solução de qualquer problema que nos confronta, mas que não podemos alcançar. Com a obtenção concebível desse conhecimento, sem dúvida construiríamos um passado mais verdadeiro em relação ao presente dentro do qual se encontram as implicações desse passado.

E é a esse passado que há sempre uma referência dentro de cada passado que se apresenta imperfeitamente à nossa investigação. Se possuíssemos todo documento possível e todo monumento possível do período de Júlio César, sem dúvida teríamos uma imagem mais verdadeira do homem e do que ocorreu em sua época, mas seria uma verdade pertencente a este presente, e um presente posterior a reconstruiria do ponto de vista de sua própria natureza emergente.

Podemos então conceber um passado que, em qualquer presente determinado, seria irrefutável. Na medida em que esse presente estivesse em questão, ele seria um passado final; e, se considerarmos atentamente o assunto, penso que é a esse passado que se refere aquilo que ultrapassa a formulação que o historiador pode fornecer e que somos propensos a supor ser um passado independente do presente.

 
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